Post: ANP propõe controle de margem de lucro da gasolina e setor reage com críticas

ANP inicia audiência pública para controlar margem de lucro da gasolina, gerando críticas do setor sobre tabelamento de preços.
ANP propõe controle de margem de lucro da gasolina e setor reage com críticas

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) deu início, nesta segunda-feira (15), a uma audiência pública para discutir novas regras que definem o que são preços abusivos na venda de combustíveis. A proposta, que gerou forte resistência entre os representantes do setor, limita a 10% os aumentos de margens de lucro de postos e distribuidoras em situações de guerra ou calamidade. A medida, que pode resultar em multas de até R$ 500 milhões para os infratores, foi elaborada em resposta a determinações de medidas provisórias do governo que visam minimizar os efeitos da alta dos preços internacionais do petróleo, especialmente após o início da guerra no Irã.

Durante a audiência, a sessão chegou a ser suspensa após uma liminar obtida pela Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes), mas a decisão foi revertida pelo governo. O presidente da Fecombustíveis, James Thorp Neto, criticou a proposta, afirmando que ela é inconstitucional e representa um tabelamento disfarçado de preços. “Da forma em que está posto, é pior que tabelamento, porque engessa o mercado e a livre concorrência”, destacou.

A ANP defende a necessidade de um critério claro para identificar aumentos abusivos, uma vez que recebeu da legislação a responsabilidade de fiscalizar práticas de “elevação abusiva de preço” e “recusa injustificada de fornecimento” de combustíveis. Em nota técnica, a agência argumentou que a definição do limite de 10% para aumento de margem bruta foi inspirada em legislações de estados americanos que também implementam medidas de controle de preços.

Por outro lado, o setor argumenta que os preços dos combustíveis no Brasil são livres desde 2002 e que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já possui a atribuição de investigar abusos de poder de mercado, que só ocorreriam em situações de posição dominante. A advogada Cleo Bueno, que representou o sindicato dos postos do Paraná, afirmou que não há respaldo legal para que a ANP considere a margem bruta como critério para definir aumento abusivo. “Margem bruta de forma isolada, por produto, não serve para auferir aumento abusivo”, disse.

Os representantes do setor expressaram preocupação com o impacto da nova portaria, alertando que ela pode levar a um retorno ao tabelamento de preços. “A ANP está abandonando um sistema de livre mercado”, afirmou Arthur Villamil, do Minaspetro, reforçando a ideia de que a proposta pode prejudicar a concorrência e a dinâmica do mercado de combustíveis no Brasil.

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