Na manhã deste domingo (14), um trágico acidente aéreo ocorreu na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, região sudeste do Rio de Janeiro, resultando na morte de seis pessoas. A colisão entre dois helicópteros aconteceu por volta das 9h, quando um dos aparelhos, que transportava apenas o piloto, e o outro, que levava o piloto e cinco ocupantes, se chocaram no ar e caíram em um pátio da montadora BYD, especializada em veículos elétricos. A explosão da aeronave com os cinco ocupantes gerou chamas que atingiram pelo menos 20 veículos estacionados, e os estilhaços se espalharam por um raio de 100 metros.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, que esteve no local, esclareceu que as aeronaves estavam em um deslocamento regular, sendo uma delas a caminho de Angra dos Reis e a outra destinada à Região Serrana do estado. Ele destacou que ambos os pilotos eram experientes e que, entre os ocupantes, havia pelo menos um estrangeiro. Os nomes das vítimas ainda não foram divulgados, pois os contatos com as famílias estavam sendo priorizados.
Imagens e vídeos feitos por moradores do local mostram a intensidade do incêndio, que gerou uma coluna de fumaça visível a quilômetros de distância. A situação mobilizou cerca de 40 militares e 15 viaturas do Corpo de Bombeiros, que trabalharam para conter as chamas e gerenciar os danos. Apesar de um dos helicópteros não ter pegado fogo, não houve sobreviventes entre os ocupantes das duas aeronaves.
A Polícia Civil já iniciou a perícia para investigar as causas do acidente, e a Força Aérea designou uma equipe para dar início à investigação oficial. Existe a possibilidade de que os responsáveis sejam enquadrados por homicídio culposo, dependendo dos resultados das apurações, que incluirão a avaliação do controle de tráfego aéreo e a condução das aeronaves. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também começou a coleta de informações e a preservação de elementos relevantes para a investigação.
Além disso, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) estão atuando para auxiliar no gerenciamento da situação. O recente aumento na frequência de acidentes aéreos ocorre em meio a um alerta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre cortes orçamentários que têm prejudicado a fiscalização do setor. A Anac havia anunciado uma redução de 40% nas ações de fiscalização, mas reverteu a decisão após receber uma recomposição de R$ 25 milhões dos ministérios de Portos e Aeroportos e do Planejamento e Orçamento.
Dados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, alimentado pelo Cenipa, indicam que, desde o início do ano, foram registrados 15 acidentes ou incidentes aéreos, sendo oito envolvendo helicópteros. As estatísticas revelam que 47,3% das ocorrências são atribuídas a falhas técnicas humanas, enquanto 33,1% estão relacionadas a fatores psicológicos dos pilotos. A tragédia deste domingo levanta mais uma vez a questão sobre a segurança na aviação e a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa para prevenir acidentes semelhantes no futuro.




