A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, trouxe uma nova polêmica envolvendo os estádios que sediarão os jogos. A Fifa, organizadora do evento, determinou que os locais não podem exibir marcas comerciais que não sejam de seus patrocinadores oficiais, resultando em uma mudança temporária nos nomes das arenas. Essa política, conhecida como “estádio limpo”, visa garantir que apenas as marcas que investiram em contratos de patrocínio sejam visíveis durante o torneio.
Os torcedores que compareceram à partida entre Estados Unidos e Paraguai, na última sexta-feira (12), ficaram surpresos ao ver o “Estádio de Los Angeles” em vez do conhecido SoFi Stadium. As empresas que pagaram milhões pelos direitos de nomeação, como SoFi, MetLife e NRG, tiveram que ver seus estádios temporariamente rebatizados. O SoFi Stadium, por exemplo, foi renomeado para Estádio de Nova York e Nova Jersey, enquanto o estádio em Houston passou a ser chamado de Estádio de Houston.
Rick Burton, professor emérito da Falk College of Sport da Universidade de Syracuse, comentou a situação, afirmando que as empresas não estão satisfeitas com a mudança, já que investiram grandes quantias para ter visibilidade. Ele destacou que, ao contrário da Copa do Mundo de 2022 no Qatar, onde novos estádios foram construídos, todas as partidas de 2026 ocorrerão em instalações já existentes, o que torna as mudanças de nome ainda mais notáveis.
A Fifa explicou que os nomes oficiais dos estádios foram adaptados para refletir as cidades-sede e podem diferir dos nomes comuns utilizados localmente. O BC Place, em Vancouver, é o único estádio que não será afetado por essa regra. No entanto, nem todos os locais conseguiram cumprir integralmente as normas. O Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, por exemplo, não conseguiu ocultar o logotipo da montadora que adorna sua cobertura, e a Fifa permitiu que ele permanecesse visível devido a dificuldades em cobri-lo sem causar danos à estrutura.
Em Seattle, a empresa de telecomunicações Lumen decidiu lidar com a situação de forma bem-humorada, criando um vídeo divertido em que seu diretor de estratégia e marketing, Ryan Asdourian, aparece inspecionando o estádio em busca de qualquer referência à marca. O executivo, vestido com um colete de segurança, acaba destacando o logotipo da empresa dentro do próprio vídeo, ironizando a situação.
Vale lembrar que a política de ocultação de marcas não se restringe apenas à Copa do Mundo. O SoFi Stadium terá que remover novamente a marca de seu patrocinador em 2028, quando sediar a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Essa situação levanta questões sobre o impacto financeiro e a visibilidade das marcas que investem em direitos de nomeação, especialmente em eventos de grande porte como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A Fifa, por sua vez, continua a trabalhar em conjunto com as autoridades dos estádios e cidades-sede para garantir que os requisitos de proteção de marca sejam atendidos, respeitando as especificidades de cada local.


