Em meio a uma crise de abastecimento em La Paz, na Bolívia, a professora Gabriela Garcia, de 43 anos, encontrou uma forma criativa de continuar lecionando enquanto aguardava por gasolina. Desde o dia 4 de junho, ela está na fila para abastecer seu carro, que se tornou sua sala de aula improvisada. Em vez de se deixar abater pela situação, Gabriela adaptou sua rotina para ensinar seus alunos diretamente do veículo, utilizando um laptop e um filtro na tela para ocultar o ambiente ao seu redor.
A crise de abastecimento é resultado de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, que, em seu segundo mês de mandato, eliminou um subsídio de 20 anos aos combustíveis, dobrando o preço da gasolina. Além disso, a importação de um combustível de baixa qualidade, conhecido como “gasolina basura”, danificou milhares de veículos, agravando ainda mais a situação. Com o desabastecimento, as aulas na região passaram a ser virtuais, forçando muitos professores a se adaptarem às novas circunstâncias.
Gabriela, que é mãe solteira de dois filhos, um menino de 13 anos e uma menina de 6, enfrenta o desafio de estar longe deles enquanto espera na fila. “O mais difícil é ficar longe dos meus filhos. Sei que eles estão em boas mãos, mas é complicado estar longe”, desabafa. Para lidar com as necessidades básicas, ela utiliza um banheiro público próximo e se troca no carro, cobrindo os vidros com um protetor solar para garantir privacidade.
A professora não é a única a enfrentar dificuldades. O taxista José Aurélio, de 49 anos, também está na fila há cinco dias, lutando para conseguir abastecer e manter seu trabalho. Ele relata que, devido à falta de gasolina, teve que considerar a possibilidade de pegar um empréstimo para pagar as contas, uma situação que reflete a angústia de muitos motoristas na cidade.
Após seis dias de espera, Gabriela finalmente conseguiu abastecer seu carro. “Consegui colocar gasolina”, escreveu em uma mensagem de texto, aliviada após tantos dias de incerteza. No entanto, a crise ainda persiste e muitos motoristas continuam a enfrentar longas filas, sem garantias de que conseguirão abastecer seus veículos.
A situação em La Paz é um reflexo de uma crise mais ampla, onde o descontentamento popular se intensifica em resposta às políticas do governo. Os protestos que paralisam as estradas são uma forma de resistência à insatisfação com a administração de Rodrigo Paz, que enfrenta a pressão da população em busca de soluções para a crise de abastecimento e o aumento dos preços dos combustíveis. Com a insegurança nas ruas, muitos motoristas, como Gabriela, buscam formas de se proteger e garantir a segurança de suas famílias, enquanto lutam para retomar a normalidade em suas vidas.




