Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que terá início na próxima quinta-feira (11), cerca de 180 mil ingressos permanecem disponíveis para revenda nas plataformas oficiais. A situação é preocupante para a Fifa, já que a procura está abaixo do esperado, mesmo com a redução de 20% no preço médio dos ingressos no último mês. Essa queda nos preços, no entanto, não tem sido suficiente para atrair os torcedores, levando muitos cambistas a enfrentar prejuízos nas transações.
O portal de revenda da Fifa listava, até esta terça-feira (9), aproximadamente 176 mil ingressos para a fase de grupos, onde cada seleção jogará contra outras três. Um dado alarmante é que cerca de 16 mil ingressos para jogos envolvendo o Irã não foram vendidos, com o ingresso mais barato custando US$ 138. A situação não é diferente para os Estados Unidos, que, apesar de ser o principal país anfitrião do torneio, ainda possui 4.400 ingressos disponíveis para o jogo de estreia contra o Paraguai, com preços que ultrapassam os US$ 800.
A Fifa, que tem sido criticada por seus preços elevados, justificou o aumento alegando que os valores estão alinhados com as condições do mercado local. Entretanto, a entidade enfrenta investigações por parte dos procuradores-gerais de Nova York e Nova Jersey, que questionam os preços considerados “impossivelmente altos”. Grupos de torcedores afirmam que os custos para acompanhar uma seleção na Copa do Mundo aumentaram cinco vezes em comparação ao torneio anterior, realizado no Qatar em 2022.
Os preços dos ingressos para a final, que ocorrerá em Nova Jersey, começam em US$ 4.185, podendo chegar a US$ 8.680 para assentos premium. Apesar da Fifa ter afirmado que houve uma forte demanda por ingressos, com mais de 500 milhões de solicitações de reserva registradas em janeiro, a realidade atual mostra uma discrepância significativa entre a expectativa e a realidade. A Fifa espera arrecadar mais de US$ 3 bilhões com vendas de ingressos e hospitalidade, um valor que é três vezes maior que o obtido na Copa do Mundo anterior.
Em contraste, o entusiasmo em torno de algumas seleções é notável. Por exemplo, os jogos do México, que ocorrerão em casa, têm apenas 300 ingressos disponíveis por partida, com preços que chegam a quatro vezes o valor original. A Colômbia, por sua vez, apresenta a maior alta média no mercado de revenda, com ingressos sendo negociados a mais de cinco vezes o valor de face, especialmente para o jogo contra Portugal em Miami, que custa em média US$ 3.000.
A Fifa permitiu que indivíduos comprassem até quatro ingressos por jogo e até 40 no total, o que possibilita a revenda em plataformas oficiais. Contudo, em Toronto, onde as leis locais proíbem a revenda acima do valor de face, a disponibilidade é limitada. Em resposta às críticas sobre os preços altos, a Fifa introduziu um número reduzido de ingressos mais acessíveis, reafirmando seu compromisso em garantir acesso justo ao futebol para torcedores existentes e novos fãs. A expectativa é que a Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá em três países, seja um evento memorável, apesar das dificuldades enfrentadas na venda dos ingressos.




