A guerra no Irã resultou em um aumento significativo nos custos de combustível das companhias aéreas, que devem enfrentar um acréscimo de US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 512,3 bilhões) em 2026. Essa informação foi divulgada pela IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), que alertou sobre os impactos financeiros severos que o setor está enfrentando devido ao aumento dos preços do combustível de aviação, que dobraram desde o início do conflito em fevereiro, quando o Estreito de Hormuz foi fechado, bloqueando uma rota crucial para o transporte de petróleo.
Os lucros líquidos combinados da indústria devem cair pela metade, passando de US$ 43 bilhões (R$ 220,3 bilhões) em 2025 para apenas US$ 23 bilhões (R$ 117,8 bilhões) este ano. A margem média de lucro das companhias aéreas também deve cair de 4,2% para 2%, evidenciando a pressão financeira que o setor está enfrentando. Willie Walsh, ex-presidente da British Airways e atual diretor-geral da IATA, comentou sobre a situação durante a reunião anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro, afirmando que as margens estão extremamente apertadas.
O setor já enfrentou falências significativas, como a da Spirit Airlines nos Estados Unidos, e está se preparando para mais colapsos nos próximos meses. Walsh destacou que os desafios são ainda maiores para as companhias que não conseguiram se recuperar totalmente dos impactos da pandemia de Covid-19.
Além do aumento nos preços do combustível, a situação é exacerbada pela idade média das aeronaves, que ultrapassa os 15 anos, um recorde histórico. Isso significa que as companhias aéreas estão operando com frotas menos eficientes, o que resulta em custos de manutenção mais altos e taxas de leasing mais elevadas. A IATA estima que voar com aviões mais antigos custou cerca de US$ 11 bilhões (R$ 56,3 bilhões) a mais em combustível durante 2025.
Walsh fez um apelo aos fabricantes de motores para que melhorem a eficiência e a durabilidade dos produtos, enfatizando que a continuidade das falhas na produção é inaceitável. Apesar dos desafios, a demanda por viagens aéreas permanece robusta, com muitos passageiros dispostos a pagar mais para viajar, mesmo que isso signifique tarifas mais altas. A IATA constatou que 86% dos viajantes esperam que as tarifas acompanhem o aumento dos preços do petróleo, e cerca de 49% estão dispostos a gastar mais com viagens neste ano.
Os preços do petróleo Brent, que chegaram a atingir US$ 120 o barril durante o conflito, recuaram para US$ 93, mas ainda assim impactam significativamente os custos operacionais das companhias aéreas. A situação atual exige que o setor se adapte rapidamente para mitigar os impactos financeiros e garantir a continuidade das operações.




