A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, que terá sua abertura marcada para a próxima quinta-feira (11), a atmosfera em Nova York, uma das cidades-sede do torneio, é surpreendentemente contida. Enquanto a expectativa cresce entre os amantes do futebol, a população local parece alheia ao evento, que promete ser um dos maiores do esporte mundial. Na manhã de sexta-feira (5), durante a chegada da equipe de reportagem da Folha ao aeroporto JFK, um episódio curioso ilustrou essa falta de entusiasmo. A funcionária da imigração, ao ser questionada sobre o evento, hesitou e, sem saber o nome correto do torneio, referiu-se a ele como “aquele negócio grande de futebol”. Essa expressão, embora informal, reflete a percepção de muitos nova-iorquinos sobre a competição que se aproxima. Com a maioria das partidas programadas para acontecer nos Estados Unidos, e 78 dos 104 jogos sendo realizados em solo americano, a final está agendada para o MetLife Stadium, na região de Nova Jersey, no dia 19 de julho. Apesar disso, a região metropolitana, que normalmente vibraria com a chegada de um evento dessa magnitude, não apresenta o clima festivo esperado. Vinicius Nascimento, um brasileiro que vive em Nova York há 14 anos, comentou: “Se você perguntar para dez não latinos na rua, uns cinco não devem saber que tem Copa”. Essa afirmação ressalta a disparidade entre o crescimento do futebol no país e a popularidade de outros esportes, como o futebol americano, o beisebol e o basquete. Atualmente, o New York Knicks, time de basquete da cidade, está na disputa da NBA, o que tem atraído a atenção da mídia e dos torcedores. A equipe, que não ganhava um título desde 1973, está em uma fase decisiva e venceu o primeiro jogo da série contra o San Antonio Spurs, gerando uma expectativa que ofusca o futebol. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, embora torcedor do Arsenal e defensor do futebol, parece não ter conseguido transmitir seu entusiasmo para a população. A cidade, que já teve um histórico de amor pelo esporte, agora se vê dividida entre as atenções voltadas para o basquete e a iminente Copa do Mundo. Enquanto a data de abertura se aproxima, a expectativa é que o clima comece a mudar, mas, por enquanto, a Copa do Mundo ainda não conseguiu conquistar o coração dos nova-iorquinos, que permanecem mais focados nas finais da NBA do que na competição que promete agitar o continente.




