Post: Xi Jinping visita Coreia do Norte em meio a laços mais estreitos com Moscou

china - Xi Jinping visita a Coreia do Norte em meio a laços mais estreitos com Moscou, refletindo mudanças na dinâmica regional.
Xi Jinping visita Coreia do Norte em meio a laços mais estreitos com Moscou

Na próxima semana, o presidente da China, Xi Jinping, realizará uma visita de Estado à Coreia do Norte, a convite de Kim Jong-un, conforme anunciado pela agência Xinhua. Esta será a primeira visita de Xi a Pyongyang em sete anos, marcada pela celebração dos 65 anos do Tratado de Amizade de 1961, o único pacto de defesa mútua que a China mantém no mundo. A confirmação deste encontro ocorre em um contexto de crescente tensão nas relações bilaterais, com a Coreia do Norte se aproximando cada vez mais da Rússia. A visita de Xi se dá um dia após a inauguração de uma usina de combustível nuclear na Coreia do Norte, onde Kim Jong-un enfatizou a necessidade de expandir o arsenal nuclear do país. Analistas em Washington e Seul devem avaliar a importância da China para a sobrevivência do regime norte-coreano, que depende em grande parte do comércio com seu vizinho. Embora a China represente 95% do comércio da Coreia do Norte e 85% de suas exportações, essa relação não deve ser interpretada como uma dependência política. Durante a Guerra Fria, Kim Il-sung soube explorar as rivalidades entre Moscou e Pequim, garantindo apoio militar de ambos os lados sem se submeter a nenhum deles. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, a dinâmica entre a Coreia do Norte e a China tem mudado. Kim Jong-un encontrou na Rússia um novo aliado, enviando munições e tropas para apoiar os esforços de Moscou, além de firmar um tratado de defesa mútua com Putin em 2024. Isso altera a hierarquia de influência, fazendo com que a China, pela primeira vez em décadas, precise cortejar a Coreia do Norte. A visita de Xi não é uma tentativa de disciplinar Kim, mas sim uma estratégia para evitar que o regime norte-coreano se afaste completamente da órbita chinesa. Além disso, com Donald Trump retomando o discurso sobre o diálogo com Kim, Xi busca não ser surpreendido por uma aproximação direta entre Washington e Pyongyang, como quase ocorreu em 2019. A retórica diplomática também reflete essas mudanças, com a China agora falando menos sobre desnuclearização e mais sobre a contenção dos riscos nucleares. Pequim sempre teve receios quanto ao programa nuclear de Kim, temendo que isso leve à formação de uma aliança militar na Ásia envolvendo Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, o que colocaria pressão em suas fronteiras. Diante desse cenário, é prudente ter cautela ao considerar a ideia de uma aliança sólida entre China, Rússia e Coreia do Norte. A história mostra que a China carrega o peso da Guerra da Coreia, um conflito que resultou em milhões de baixas, e ainda existem disparidades significativas nas narrativas entre esses três países. Enquanto Kim celebra uma “nova Guerra Fria”, Xi e Putin evitam essa terminologia em público para não alienar o Sul Global. A visita de Xi a Pyongyang destaca uma nova realidade: a China já não é a âncora da península coreana, capaz de sustentar a economia de Kim e garantir sua obediência. O líder chinês viajará a Pyongyang para reafirmar sua relevância, mas será que retornará a Pequim ciente de seus limites?

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