Em meio à crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã, o renomado colunista Thomas L. Friedman levanta questões cruciais sobre a estratégia do presidente Donald Trump. Em seu artigo, ele discute o dilema que Trump enfrenta: qual será o preço da paz e até onde ele está disposto a ir para encerrar o conflito? A primeira pergunta que surge é sobre a magnitude da humilhação que Trump terá que suportar para alcançar um acordo, e a segunda é se ele apresentará essa humilhação como um triunfo, comparando-a a um prato gourmet.
Friedman sugere que, mesmo que Trump tenha que engolir um “sapo” considerável, como a aceitação de um acordo que não atenda a todas as suas exigências, isso poderia ser benéfico se resultar na redução do arsenal nuclear do Irã. O autor argumenta que a eliminação de 450 quilos de urânio quase armamentista seria um avanço significativo, mas alerta que isso não deve ser confundido com uma vitória completa. O fortalecimento do regime iraniano, mesmo após um acordo, é uma preocupação central.
A análise de Friedman destaca que a equipe de Trump, incluindo figuras como o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Defesa Pete Hegseth, pode ser lembrada como a administração que deu uma nova vida ao regime iraniano, que já estava sob pressão interna. O colunista enfatiza que qualquer acordo que permita ao Irã manter uma parte significativa de seu urânio ou alivie as sanções econômicas poderia resultar em um aumento do financiamento para suas atividades repressivas e expansionistas na região.
O autor também critica a falta de planejamento estratégico por parte da administração Trump. Ele menciona que, ao confiar nas promessas do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, a equipe de segurança nacional dos EUA não previu as possíveis reações do Irã, como o fechamento do estreito de Hormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. Essa ação demonstrou que o Irã possui uma forma de alavancar sua posição, colocando a economia global em risco.
Friedman destaca que, ao invés de usar sua força militar para pressionar o Irã, Trump e sua equipe subestimaram a capacidade de resposta do regime iraniano, que agora possui um novo tipo de “arma de destruição em massa” na forma de drones e mísseis. Essa nova realidade coloca os Estados Unidos em uma posição vulnerável, onde a confiança na estabilidade da região é questionada.
O artigo também menciona a importância de aprender com a experiência de outros líderes, como o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Friedman sugere que, se Trump tivesse buscado conselhos sobre como resistir a uma superpotência, poderia ter evitado erros estratégicos. A falta de curiosidade e humildade em sua abordagem pode ter custado caro para a política externa dos EUA.
Além disso, a relação de Trump com os aliados árabes do Golfo é colocada em dúvida, uma vez que a instabilidade gerada pela guerra e as ações do Irã podem afetar diretamente seus interesses. A possibilidade de ataques iranianos à infraestrutura petrolífera dos aliados é uma preocupação crescente, especialmente após relatos de danos significativos à capacidade de exportação de gás natural do Catar.
Por fim, Friedman conclui que a percepção de Trump como um líder instável e imprevisível pode afetar a confiança dos aliados e adversários. A proposta recente de Trump, que sugere uma abordagem radical, levanta mais dúvidas sobre a capacidade dos EUA de liderar de forma eficaz em um cenário tão volátil. A análise de Friedman nos leva a refletir sobre os desafios que a administração Trump enfrenta e as implicações de suas decisões na dinâmica do Oriente Médio.




