Em meio a um calendário repleto de corridas, o espaço para caminhadas em São Paulo parece cada vez mais reduzido. A cidade, que abriga uma infinidade de eventos esportivos, tem visto uma predominância de corridas que, muitas vezes, não contemplam os amantes de caminhadas mais longas. Em uma reflexão sobre essa realidade, a jornalista Luiza Pastor sugere que organizadores de eventos considerem a inclusão de caminhadas que ofereçam percursos mais extensos, ao invés de se limitarem a distâncias curtas, como os populares 3 km.
A proposta de Pastor é clara: por que não promover caminhadas que explorem os diversos cantos da cidade, em vez de se restringir a passeios guiados que param a cada quarteirão? A jornalista, que trocou as corridas pelas caminhadas desde 2014, expressa sua frustração ao observar que, enquanto as corridas proliferam, as opções para quem prefere caminhar são escassas.
No cenário atual, eventos como a Marcha para Jesus e a Parada LGBT, que atraem milhares de participantes, limitam seus percursos a 3,5 km. Embora sejam celebrações importantes, a proposta de Pastor destaca que essas atividades não se qualificam como exercícios aeróbicos significativos. Entre as iniciativas que buscam promover a caminhada, destaca-se o projeto “Vamos Trilhar no Parque”, que, desde 2024, já levou cerca de 63.000 pessoas a percorrer unidades de conservação da cidade. No entanto, a distância máxima percorrida ainda é de 3 km, o que levanta questionamentos sobre a real intenção de incentivar a prática de atividades físicas mais longas.
Por outro lado, a Caminhada Noturna no Parque Estadual da Cantareira se destaca como uma opção mais robusta, oferecendo um percurso de cerca de 8 km até a Pedra Grande, onde os participantes podem desfrutar de uma vista deslumbrante da cidade à noite. Essa iniciativa é um exemplo positivo de como é possível criar eventos que realmente incentivem a prática de caminhadas mais longas.
Recentemente, a jornalista recebeu um convite para a atividade “Urban Walk”, que, apesar de ter um nome que sugere uma caminhada, na verdade, se trata de uma corrida de 5 km com uma opção de 3 km para quem prefere caminhar. Essa abordagem, que parece mais uma concessão do que um incentivo real à caminhada, exemplifica a necessidade de repensar o formato dos eventos esportivos na cidade.
Com mais de 250 corridas programadas para os 52 finais de semana de 2026 em São Paulo, a predominância de corridas em relação a caminhadas é alarmante. Embora algumas corridas incluam opções de caminhada, muitas vezes, essas são vistas como uma mera formalidade, destinadas a acompanhantes de corredores. A proposta de Pastor é um apelo para que os organizadores considerem a criação de eventos que realmente valorizem as caminhadas e ofereçam percursos mais longos e desafiadores, permitindo que todos possam desfrutar da cidade de maneira saudável e ativa.



