O norte de Santa Catarina está se posicionando como um novo polo para a extração de terras raras, com a inclusão dos municípios de Garuva e Joinville em um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Essas cidades fazem parte do Cinturão Ribeira, uma formação geológica que se estende entre os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e que apresenta um potencial significativo para a extração desse mineral crítico.
De acordo com o pesquisador do SGB, Guilherme Iolino Troncon Guerra, os primeiros resultados das análises são bastante promissores. “Identificamos concentrações elevadas em diferentes pontos estudados, com algumas amostras apresentando teores superiores a 8 mil ppm [partes por milhão] de elementos de terras raras”, explica. Esses valores são considerados altos e indicam um enriquecimento expressivo na região.
Além disso, o estudo revelou que algumas áreas registram concentrações superiores a 3 mil ppm de elementos de terras raras magnéticas, como neodímio e térbio. Esses minerais são altamente valorizados no mercado, especialmente por sua aplicação em ímãs de alto desempenho, essenciais para a fabricação de tecnologias como motores elétricos e sistemas de geração de energia renovável.
O estudo, que ainda está em fase preliminar e deve continuar até 2027, envolve a coleta de solo e rochas, além da análise de informações geoquímicas e geofísicas. A metodologia aplicada combina dados para identificar regiões com maior probabilidade de concentração desses elementos estratégicos. O geólogo Daniel Fernandes destaca que o Cinturão Ribeira é uma antiga cadeia de montanhas formada há centenas de milhões de anos, resultante de processos geológicos complexos que moldaram a região.
O mapeamento também abrange municípios paranaenses como Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul, além de áreas em São Paulo, incluindo Itupeva, Alumínio e Capão Bonito. Os geólogos estão concentrando suas atenções em granitos e formações alcalinas, que são promissores na busca por minerais estratégicos.
O secretário de Inovação e Comunicação da prefeitura de Garuva, Rafael da Luz, afirmou que o município está acompanhando os estudos do SGB e aguarda dados oficiais dos órgãos federais. “Assim que tivermos uma manifestação do Ministério de Minas e Energia, vamos avaliar tudo com responsabilidade e transparência. Essa possível descoberta pode abrir novos caminhos para o desenvolvimento do município”, disse.
Por sua vez, a prefeitura de Joinville também está levantando informações técnicas sobre o assunto. O SGB ressalta que a inclusão de uma área no mapa de potencial não representa autorização para mineração, nem indica exploração imediata. O objetivo é avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental dos depósitos identificados.
A presença de anomalias geoquímicas e características favoráveis não garante a existência de jazidas com viabilidade econômica. Qualquer projeto de exploração dependerá de etapas futuras, que incluem a definição de recursos e reservas minerais, estudos tecnológicos específicos e processos de licenciamento ambiental conduzidos por empresas e órgãos competentes. Com a crescente demanda global por terras raras, o Brasil se vê em uma posição estratégica, especialmente em meio à disputa entre EUA e China por esses recursos, que são essenciais para diversas indústrias, incluindo a de alta tecnologia e defesa.



