Post: Acesso ao pico do Corcovado em Ubatuba é reaberto após dois anos

Acesso ao pico do Corcovado em Ubatuba é reaberto após dois anos de fechamento, com novas regras e participação indígena.
Acesso ao pico do Corcovado em Ubatuba é reaberto após dois anos

Depois de um período de fechamento que durou dois anos, o acesso ao pico do Corcovado, localizado em Ubatuba e com 1.100 metros de altitude, foi oficialmente reaberto na última sexta-feira (22). Essa reabertura é resultado de longas negociações entre a Fundação Florestal, o Ministério Público Federal, a Funai e os indígenas da Aldeia Renascer Ywyty Guaçu, que atualmente está em processo final de demarcação. O projeto Renascer, fundado em 1999 após a retomada autorizada pela Constituição de 1988, abrange 29 aldeias em todo o estado de São Paulo. Em Ubatuba, são 25 famílias e 120 indígenas de origem tupinambá. A comunidade enfrenta desafios relacionados ao preconceito, como destaca Cristiano Kiririndju, líder da aldeia e coordenador de políticas públicas para os povos indígenas da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo. Ele menciona que muitos cresceram com uma narrativa escolar que ignora o massacre histórico e o direito de retomada das terras originárias. O pico do Corcovado, um dos pontos mais emblemáticos da Serra do Mar, foi interditado em 2020 para obras de reestruturação e posteriormente fechado novamente devido à falta de consulta aos moradores locais. Embora tenha sido reaberto brevemente em 2022, o acesso foi novamente suspenso em resposta à pressão da comunidade, que se sentiu sobrecarregada pelo grande número de visitantes sem controle. Agora, após muitas reuniões entre as partes envolvidas, o acesso ao pico foi restabelecido, mas com limitações: apenas 48 visitantes podem subir simultaneamente. A trilha, que se estende por quase 6 quilômetros, é considerada difícil, exigindo entre 5 a 6 horas de subida íngreme, além da descida. O acesso é permitido apenas às sextas, sábados, domingos e feriados, e a contratação de guias credenciados é obrigatória. Esses guias são alternados semanalmente entre indígenas formados como monitores ambientais e guias da região não indígenas. Os visitantes que desejam acampar no cume devem estar cientes de que não há estrutura de apoio e que fogueiras não são permitidas. Além disso, é obrigatório o uso de um “shit tube” para a coleta de dejetos orgânicos, uma medida que visa preservar o meio ambiente. Kiririndju enfatiza a importância de respeitar os períodos de restrição, que ocorrem entre outubro e março, quando o acesso estará fechado devido à reprodução animal e coleta de frutos. Na aldeia, 13 monitores ambientais estão disponíveis para guiar os visitantes. O custo é de R$ 700 para até 7 pessoas que queiram acampar e R$ 500 para aqueles que preferem fazer o bate-volta. Antes de iniciar a trilha, os visitantes participam de uma cerimônia cultural tupinambá na casa de reza. A aldeia também oferece experiências de comida típica, artesanato, danças, palestras e visitas ao centro cultural local. Carlos Roberto Paiva, gestor do Parque Estadual da Serra do Mar, destaca que a Fundação Florestal é responsável por eventuais ajustes e consertos ao longo da trilha, como a instalação de cordas e parapeitos. A reabertura do pico do Corcovado representa não apenas uma oportunidade para os amantes da natureza, mas também um reconhecimento da importância da gestão indígena na preservação e valorização desse espaço natural.

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