O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se revela como um teste crucial para a saúde global, especialmente após a retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e o desmantelamento da Usaid, a agência internacional de desenvolvimento. Em um curto espaço de apenas 11 dias, a RDC registrou mais de mil casos da doença, resultando em mais de 200 mortes, um dos avanços mais rápidos na história de surtos de doenças infecciosas. Essa situação levanta questões sobre a eficácia do monitoramento sanitário global, que já foi mais robusto antes da mudança de postura dos EUA sob a administração de Elon Musk em 2025.
A resposta internacional à crise é alarmante. Uganda, que já confirmou sete casos na capital, Kampala, decidiu fechar suas fronteiras com a RDC, enquanto o governo americano optou por enviar cidadãos expostos ao vírus para centros de quarentena no Quênia. Essa decisão é um contraste marcante em relação a surtos anteriores, quando pacientes eram trazidos para tratamento nos Estados Unidos. Além disso, um memorando do CDC (Centro para Prevenção e Controle de Doenças) solicitou voluntários para triagem em aeroportos que recebem viajantes da África Central, uma medida que ocorre a apenas duas semanas do início da Copa do Mundo.
A ausência dos EUA na coordenação de esforços de saúde global resultou em um impacto significativo, não apenas no orçamento da OMS, que sofreu um rombo de mais de meio bilhão de dólares, mas também na segurança da população americana. Em 2025, o CDC demitiu centenas de profissionais especializados na prevenção de epidemias, o que enfraquece ainda mais a capacidade do país de lidar com crises de saúde pública.
O surto atual de ebola na RDC também confirma previsões sombrias sobre a origem das próximas crises de saúde, que tendem a emergir de zonas de conflito. A presença de milícias no leste da RDC dificulta a implementação de medidas de saúde pública, como monitoramento e assistência médica. Os obstáculos enfrentados durante o surto de 2018, que ocorreu em áreas com populações de refugiados, ainda são relevantes. Naquela época, ataques a hospitais e disputas por funerais complicaram a resposta ao surto.
A cepa Bundibugyo do ebola, que está avançando na África, não possui vacina ou tratamento antiviral disponíveis, o que reabre o debate sobre a importância de investir em recursos humanos para a prevenção de epidemias, além da tecnologia para a produção de vacinas. A rapidez com que a vacina foi desenvolvida anteriormente não pode ser o único foco; é necessário um sistema de saúde robusto e bem estruturado para enfrentar os desafios que surgem em situações de crise. A situação atual na RDC serve como um alerta sobre a necessidade de uma abordagem colaborativa e integrada para a saúde global, que deve incluir todos os países, especialmente os que têm a capacidade de liderar esforços internacionais.




