As Forças Armadas de Israel declararam, nesta quarta-feira (27), todo o território do Líbano ao sul do rio Zahrani como uma “zona de guerra”. Essa decisão marca uma ampliação significativa das operações militares, abrangendo áreas que não eram alvo de ações israelenses desde o fim da ocupação em 2000. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, reforçou essa postura ao afirmar que as forças devem “acelerar ainda mais” os ataques, desconsiderando o cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, que se mostrou ineficaz na prática.
O porta-voz do Exército israelense, Avichay Adraee, anunciou a retirada de civis do sul do rio Zahrani, incluindo cidades que até então estavam fora da zona de exclusão, como Tiro e Nabatieh. A decisão de expandir as operações é vista como uma nova fase no conflito com o Hezbollah, que tem intensificado seus ataques desde o início da trégua. De acordo com o Centro Alma, um grupo de pesquisa israelense, Israel lançou 784 ataques aéreos fora da zona de exclusão, enquanto o Hezbollah realizou 545 ataques contra forças israelenses.
A linha geográfica do rio Litani, que demarcou a retirada das forças israelenses após a invasão do Líbano na década de 1980, agora se torna um ponto de tensão, com a ONU (Unifil) atuando em uma missão frágil na região. A escalada de violência ocorre em um cenário onde Beirute reportou a morte de ao menos 31 pessoas em um único dia devido aos ataques israelenses, elevando o total de mortos no Líbano para mais de 3.200 desde o início do conflito.
A situação atual reflete a complexidade do cenário no Oriente Médio, com ambos os lados desrespeitando a trégua e intensificando suas ações militares. O futuro das negociações e a possibilidade de um cessar-fogo duradouro permanecem incertos, enquanto as hostilidades continuam a impactar a população civil e a estabilidade regional.



