Post: MAIO laranja: rompendo o silêncio sobre o abuso infantil

Maio Laranja destaca a importância de romper o silêncio sobre o abuso infantil e apresenta dados alarmantes.
MAIO laranja: rompendo o silêncio sobre o abuso infantil

O silêncio pode ser mais doloroso do que qualquer grito, especialmente quando se trata de crianças que sofreram abusos e não encontraram adultos dispostos a ouvi-las. Este é o foco da campanha Maio Laranja, um movimento nacional que busca combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Instituído pela Lei Federal nº 9.970/2000, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, marca a importância de se discutir abertamente esse tema ainda considerado tabu em muitas famílias e comunidades.

Dados alarmantes sobre a violência infantil

Os números são alarmantes e exigem uma ação imediata da sociedade. Em 2023, três em cada quatro vítimas de violência sexual no Brasil eram crianças ou adolescentes. Além disso, as denúncias de abuso cresceram 22,6% em 2024, com quase 290 mil relatos registrados em todo o país. Mato Grosso, em particular, apresenta uma situação crítica, ocupando o terceiro lugar no ranking de violência sexual contra crianças e adolescentes, conforme o estudo “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O contexto regional e seus desafios

O estudo revela que Mato Grosso só fica atrás de Rondônia e Roraima, com 234,2 e 228,7 casos de violência sexual a cada 100 mil crianças e adolescentes, respectivamente. Essa realidade cruel se reflete também no Judiciário, onde os processos por estupro de vulnerável aumentaram 21% em um único ano, saltando de 1.714 para 2.082 casos. Nos primeiros quatro meses de 2025, foram registrados 627 novos processos, com Várzea Grande figurando entre as cinco comarcas com mais ocorrências no estado.

Um problema nacional e suas raízes

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública traz à tona uma ferida nacional profunda: 76% dos casos de estupro registrados no Brasil são classificados como estupro de vulnerável, ou seja, quando a vítima tem menos de 14 anos. Entre 2021 e 2023, mais de 117 mil meninas nessa faixa etária foram vítimas de estupro no país. Por trás de cada número, há uma criança, uma história e uma ferida que precisa ser tratada.

A importância da escuta e da prevenção

Especialistas alertam que o agressor raramente é um estranho; geralmente, é alguém próximo, de confiança, o que torna ainda mais difícil para a criança falar. Quando finalmente se manifesta, muitas vezes não é acreditada, perpetuando o silêncio e protegendo o culpado. É essencial que pais e responsáveis estejam atentos a sinais de alerta, como mudanças de comportamento, isolamento e pesadelos. Uma criança que para de brincar ou apresenta comportamentos sexualizados sem explicação pode estar tentando comunicar algo que ainda não consegue expressar em palavras.

Compromissos e ações legislativas

Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, assumi o compromisso de transformar essa causa em lei. Foi sancionada a Lei nº 13.168, que institui a Política Estadual de Prevenção, Identificação e Coibição de Práticas de Violência ou de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, oficializando também o Maio Laranja no estado. Além disso, aprovámos uma proposta que impede condenados por crimes sexuais contra crianças de exercerem mandato parlamentar em Mato Grosso. Embora essas medidas sejam importantes, a proteção das crianças vai além da legislação; depende da vigilância e da ação de cada um de nós.

Um chamado à ação

Denunciar é um ato de coragem e responsabilidade. O Disque 100 está disponível 24 horas, de forma gratuita e anônima, para que qualquer pessoa possa relatar casos de abuso. Toda criança merece crescer sem medo, e essa é uma responsabilidade que não pode esperar. É hora de romper o silêncio e agir.

O compromisso com a proteção das crianças deve ser coletivo. Acompanhe nossas iniciativas e continue a se informar sobre essa causa tão importante aqui no Clique Agora.

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