A Justiça do Paraguai decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña neste sábado (7), em meio a uma crise bancária que deixou milhões de correntistas sem acesso a seus depósitos e provocou uma onda de protestos em todo o país. Peña, que foi destituído do cargo na sexta-feira (6), enfrenta acusações de envolvimento em irregularidades relacionadas ao Ueno Bank, o principal banco digital do país, que anteriormente contava com 2,9 milhões de clientes em um país com cerca de 7 milhões de habitantes.
O juiz responsável pelo caso, Humberto Otazú, considerou que há risco de fuga por parte do ex-presidente, o que gerou a decisão de sua detenção. A defesa de Peña, no entanto, contesta essa avaliação, argumentando que não existem evidências que indiquem a possibilidade de ele deixar o país ou obstruir as investigações. Os advogados do ex-presidente ressaltam que ele não ocupa mais a Presidência e, portanto, não representa mais uma ameaça à integridade do processo.
Peña é investigado por suposta lesão de confiança e administração em proveito próprio, com foco nas irregularidades que cercam o Ueno Bank. O Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva e o bloqueio de bens de Peña, que agora se encontra detido no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção, onde já havia passado a noite após sua detenção na residência.
Os protestos em frente ao Ministério Público foram intensificados na madrugada, com manifestantes clamando por justiça e responsabilização. A advogada Macarena Chilavert, que estava presente durante os protestos, expressou seu descontentamento com a situação política do país, afirmando que é necessário que o povo paraguaio tenha memória e castigue os corruptos nas próximas eleições. Outro manifestante, Carlos Sosa, também se mostrou indignado e destacou que a crise financeira afeta diretamente a população.
As investigações apontam que Peña favoreceu o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, e se omitiu na fiscalização da instituição pelo Banco Central. O Ueno Bank mantinha quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo verbas da Previdência, o que agrava ainda mais a situação do ex-presidente. Além do bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros, os promotores solicitaram diligências para localizar imóveis e veículos registrados em nome de Peña.
A destituição de Peña marca um momento histórico, sendo a segunda vez que um presidente paraguaio é afastado por impeachment desde o retorno da democracia. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência e prometeu indenizar os impactados pelo que classificou como um “desastre financeiro”, priorizando os clientes de menor renda. O Banco Central já iniciou a devolução de depósitos a cerca de 1,2 milhão de clientes e anunciou que o processo continuará ao longo da próxima semana.
Alliana, em seu primeiro dia no cargo, fez reuniões com ministros e anunciou mudanças no gabinete, incluindo a nomeação de Ariel Martínez para o Ministério do Interior. Ele enfatizou a necessidade de uma resposta rápida à crise, pedindo resultados imediatos durante sua cerimônia de posse.
A situação também gerou reações diplomáticas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizando Alliana e expressando disposição para colaborar com o novo governo. A embaixada dos Estados Unidos também se manifestou, classificando o Paraguai como um “parceiro estratégico regional” e reafirmando a importância da continuidade do trabalho conjunto com o novo governo.



