O presidente do Paraguai, Santiago Peña, fez um pedido formal ao Congresso nesta sexta-feira (6) solicitando uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment que enfrenta devido a um escândalo de fraudes envolvendo o Ueno Bank, o principal banco digital do país. O colapso dessa instituição financeira resultou no congelamento dos depósitos de milhões de clientes e gerou uma onda de protestos em todo o território paraguaio.
A sessão do Senado, onde Peña deve se defender, está marcada para as 10h desta sexta-feira. Em uma nota enviada ao presidente do Senado, Basilio Núñez, o presidente alegou que o prazo estipulado não é suficiente para garantir que o processo atenda aos padrões de um Estado de Direito. Peña, que apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), ainda permanece no cargo de forma provisória, uma vez que o Congresso decidiu deixar seu pedido em suspenso enquanto avança com o processo de destituição.
Segundo informações da imprensa local, Peña recebeu a intimação para apresentar sua defesa e as provas necessárias às 22h15 de quinta-feira. Ele argumentou que a acusação, que possui 15 páginas, foi acompanhada de mais 300 páginas de anexos, o que torna o tempo disponível para sua defesa ainda mais escasso.
Na manhã desta sexta-feira, a área ao redor do Congresso recebeu um forte reforço policial, evidenciando a tensão em torno do julgamento. O presidente do Senado, Núñez, havia anunciado que o julgamento político ocorreria em cinco sessões, conforme o regimento interno do Congresso. Ele enfatizou a importância de seguir rigorosamente o regimento, uma vez que o Paraguai já enfrenta questionamentos de ex-presidentes em organismos internacionais.
Núñez fez referência ao caso de Fernando Lugo, que foi destituído em um processo rápido em 2012 após o massacre de Curuguaty. Embora a Suprema Corte tenha rejeitado as ações de Lugo contra sua destituição, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos aceitou analisar sua denúncia contra o Estado paraguaio, e o caso permanece em aberto.
A primeira sessão do processo envolvendo Peña ocorreu na noite de quinta-feira, até as 21h15, quando os senadores ouviram a denúncia formal apresentada pelos deputados responsáveis pela acusação. Ao final da sessão, Núñez informou que Peña teria apenas 12 horas para apresentar sua defesa e confirmou a convocação para as 10h desta sexta-feira, permitindo a presença do presidente ou de seus advogados.
Peña anunciou sua renúncia à Presidência na quinta-feira, após seu próprio partido retirar o apoio a ele no Congresso. Em um vídeo publicado na rede social X, ele expressou ter tomado a decisão de deixar o cargo e pediu compreensão da população em um momento tão delicado.




