Post: Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai em meio a escândalo financeiro

Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai em meio a escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, que gerou protestos e pedidos de impeachment.
Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai em meio a escândalo financeiro

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a um grave escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias digitais do país, que conta com 2,9 milhões de clientes. A decisão ocorre em um momento crítico, enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra ele, com até mesmo membros de sua base aliada se manifestando a favor da medida, o que indicava uma possível aprovação unânime da acusação.

Peña, que assumiu a presidência em março de 2023 e tinha mandato até 2028, justificou sua saída em um pronunciamento em vídeo publicado na rede social X, afirmando que sua decisão visa à estabilidade do país e à preservação das instituições democráticas. “Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo se algum dia falhei. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim”, declarou.

A crise financeira que culminou na renúncia de Peña gerou um clima de instabilidade no Paraguai, levando à prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno Bank e provocando protestos em frente às agências bancárias. Os manifestantes exigiam a devolução de seus depósitos e a responsabilização do presidente. O banco, que já enfrentava dificuldades, anunciou o fechamento de suas agências e o início de um processo de recuperação judicial, aumentando a preocupação entre os clientes.

O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o governo, mas também enfrenta a ameaça de destituição devido ao mesmo escândalo que resultou na queda de seu correligionário. A situação é delicada, uma vez que a base do governo, que tradicionalmente apoiava Peña, agora se vê dividida em meio a um escândalo que pode afetar a imagem do Partido Colorado, que está no poder há quase 70 anos, desde a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Peña é o terceiro presidente paraguaio a renunciar antes do término de seu mandato. O primeiro foi Raúl Cubas Grau, que deixou o cargo em 1999, antes da votação de seu impeachment, em meio a acusações de envolvimento de aliados na morte do vice-presidente Luis María Argaña, seu rival político dentro do Partido Colorado. A renúncia de Peña marca um momento histórico e tumultuado na política paraguaia, onde a confiança nas instituições está em xeque.

As denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank também levaram à saída do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, que havia sido nomeado por Peña e tinha ligações financeiras com a instituição até março de 2025. A oposição acusa o ex-presidente de ter tomado decisões regulatórias que favoreciam o Ueno Bank, além de concentrar recursos previdenciários na instituição, levantando suspeitas de conflito de interesses.

Centenas de pessoas se reuniram em Assunção na noite de quarta-feira (4) para protestar contra a situação, exigindo a devolução de seus investimentos e a responsabilização de Peña. A crise financeira e política no Paraguai continua a se desenrolar, deixando os cidadãos apreensivos quanto ao futuro econômico e à estabilidade de suas instituições.

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