Post: Tenda aposta em reforma tributária e fim da jornada 6×1 para fortalecer seu modelo industrial

Tenda vê reforma tributária e fim da jornada 6x1 como oportunidades para seu modelo industrial, apesar de queda no lucro.
Tenda aposta em reforma tributária e fim da jornada 6x1 para fortalecer seu modelo industrial

A Tenda, uma das principais construtoras do Brasil, está otimista com as recentes mudanças no cenário tributário e a eliminação da jornada de trabalho 6×1, acreditando que essas alterações podem beneficiar seu modelo industrial. Durante uma teleconferência realizada na quinta-feira (5), a diretoria da empresa apresentou os resultados do terceiro trimestre e destacou como a estrutura de produção e a contratação direta de mão de obra podem proporcionar uma vantagem competitiva em relação a outras construtoras que ainda dependem de processos mais tradicionais.

A companhia já opera na escala 5×2 em seus canteiros de obras e, no último trimestre, implementou uma reorganização que transferiu a produção dos sábados para os dias úteis. Segundo Luiz Maurício Garcia, CFO e Diretor de Relações com Investidores da Tenda, essa mudança foi feita com custos adicionais mínimos e sem comprometer o cronograma das obras. A Tenda também tem se destacado por manter uma alta proporção de colaboradores diretos, que representam 76,8% de sua força de trabalho, o que, segundo a administração, aumenta o controle sobre a produção e diminui a dependência de terceirizados.

Em relação à reforma tributária, a Tenda está desenvolvendo um projeto-piloto interno para avaliar os impactos sobre seus custos, créditos e fluxo de caixa. A empresa tem mantido diálogo com a Receita Federal e outras entidades relevantes, como a Caixa Econômica Federal e a Abrainc, para entender melhor as implicações das novas regras. Garcia acredita que a simplificação tributária e os benefícios voltados para a habitação popular podem impulsionar as operações do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que é o foco da Tenda.

Embora a reforma tributária possa trazer uma contribuição significativa para a margem bruta da companhia, estimada entre 1,5% a 1,8%, a diretoria ainda não incorporou esse benefício nas projeções financeiras devido à incerteza sobre a implementação e os efeitos reais da mudança. No terceiro trimestre, a Tenda registrou um lucro líquido de R$ 57,3 milhões, uma queda de 48,7% em relação ao ano anterior, e abaixo das expectativas do mercado, que previam um lucro de R$ 136 milhões. Essa retração foi atribuída à redução dos preços de vendas e aos custos de construção, além de ajustes relacionados a repasses e distratos.

A receita líquida da empresa alcançou R$ 1,25 bilhão, um aumento de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ainda em linha com as expectativas do mercado. A margem de lucro foi impactada pela ausência de economias de obras que haviam sido contabilizadas no segundo trimestre, além de custos adicionais de R$ 2,9 milhões relacionados à estabilização de fábricas e ajustes pela eliminação da jornada 6×1.

As ações da Tenda apresentaram uma queda significativa de 15% após a divulgação dos resultados, refletindo a percepção mais cautelosa dos analistas em relação ao futuro da empresa. A redução do crédito direto aos compradores, agravada pela inadimplência e restrições de crédito, também tem pressionado os preços. Apesar desse cenário desafiador, as vendas brutas da marca Tenda cresceram 22,1% no trimestre, totalizando R$ 1,5 bilhão, embora os distratos tenham aumentado 55% em relação ao trimestre anterior, atribuídos a atrasos nos processos de financiamento e mudanças nos critérios de crédito.

A Tenda lançou 11 novos empreendimentos no trimestre, com um valor geral de vendas (VGV) de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A empresa também está ampliando sua atuação nas faixas de renda mais alta do programa Minha Casa, Minha Vida, com 54,5% do VGV lançado no período concentrado nas faixas 3 e 4. Para 2026, a Tenda projeta um resultado líquido consolidado entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, e para 2027, espera um aumento de 15% a 20% no VGV de lançamentos, buscando equilibrar crescimento e recuperação das margens.

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