A recente vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos pode trazer implicações significativas para os mercados emergentes, especialmente para o Brasil. Com a conquista da maioria nas duas Casas do Congresso, as políticas econômicas do governo de Donald Trump estão sob nova luz, o que pode impactar diretamente a economia brasileira e seus ativos financeiros.
Especialistas apontam que os principais efeitos dessa mudança podem ser observados nos juros americanos, influenciando o valor do dólar e o fluxo de capitais para países em desenvolvimento. Contudo, a magnitude desse impacto dependerá da evolução do cenário fiscal nos EUA.
Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, destaca que a maior parte das expectativas em relação ao resultado eleitoral já estava incorporada nos preços de mercado. Ele afirma que, embora a vitória democrata fosse esperada, a intensidade do resultado foi surpreendente. “Um resultado expressivo e sem contestações é um sinal positivo de estabilidade institucional, o que ajuda a reduzir a percepção de risco político”, comenta Mendes.
No entanto, o cenário interno brasileiro tem exercido uma influência mais significativa sobre os ativos do que os fatores externos no momento. Mendes observa que a deterioração das expectativas fiscais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pressionado o dólar, a Bolsa e os juros no Brasil. “A curva de juros será o principal ponto de atenção, especialmente em relação aos Treasuries americanos, onde poderemos observar os efeitos mais relevantes do novo equilíbrio político em Washington”, acrescenta.
Com a nova configuração política nos EUA, os títulos do Tesouro americano começaram a operar em queda, um movimento que também foi acompanhado pela curva de juros brasileira, que aguardava a decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. No mercado americano, os Treasuries de dez anos recuaram para 4,885%, enquanto os de 30 anos caíram para 5,277%. No Brasil, os contratos com vencimento em janeiro de 2028 caíram para 14,405%, e os de janeiro de 2035 para 15,050%.
Mendes também ressalta que os juros americanos enfrentaram pressões recentemente devido à alta do petróleo, que subiu de US$ 60 a US$ 70 para mais de US$ 100, impactando a inflação e frustando as expectativas de cortes nas taxas pelo Federal Reserve. Com um Congresso de oposição, Mendes acredita que pode haver uma maior pressão por negociações diplomáticas e uma postura externa menos intervencionista, o que pode contribuir para um cenário mais estável no mercado internacional.




