O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou nesta terça-feira (3) que o governo federal está elaborando um ajuste fiscal gradual que visa respeitar os compromissos de campanha, ao mesmo tempo em que busca melhorar a situação das contas públicas. Durante uma coletiva de imprensa em Brasília, Durigan destacou a importância de um projeto que, segundo ele, é “generoso com o país” e se compromete com diversas classes sociais.
“O projeto que o presidente Lula apresentou e que foi vitorioso nas urnas é um compromisso com o Brasil, que contempla diferentes categorias e ainda promove uma melhora fiscal”, afirmou o ministro. Essa declaração ocorre em um momento em que o Ministério da Fazenda está preparando uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para permitir que o novo governo busque atingir o centro da meta fiscal e, se necessário, congele mais recursos do Orçamento para melhorar a trajetória da dívida pública.
Durigan também abordou as indicações que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá direito, afirmando que elas respeitarão o “rigor técnico”. Ele procurou desmentir rumores sobre uma possível reunião entre Lula e o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que sugeriu uma desindexação entre a taxa Selic e a rolagem da dívida pública, que atualmente representa 83% do PIB. Essa proposta, considerada heterodoxa, gerou apreensão no mercado financeiro.
“Até agora, não há nenhuma agenda definida. Existe uma precipitação em relação a com quem o presidente vai se encontrar, pois não há nada formalizado”, disse Durigan, classificando a ideia de Lara Resende como incipiente e com várias deficiências. O ministro também ressaltou que não tem discutido a sucessão do ministério com o presidente Lula, embora nomes como Rafael Fonteles (PT), governador do Piauí, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) estejam entre os cotados para assumir a pasta.
Essa abordagem cautelosa do governo reflete uma tentativa de equilibrar a responsabilidade fiscal com a agenda social, um desafio que se torna cada vez mais relevante em um cenário econômico complexo. A expectativa agora é como essas medidas serão implementadas e qual impacto terão no futuro das finanças públicas do Brasil.




