Os preços do petróleo enfrentaram uma queda significativa de quase 8% nesta segunda-feira (2), após declarações do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sobre a autorização do líder supremo do país para intensificar as negociações com os Estados Unidos. O barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 104,40, o menor valor desde 21 de outubro, quando o preço caiu para US$ 104,26. Por volta das 15h, a cotação se estabilizou em US$ 104,38, refletindo uma desvalorização de 8%. O petróleo WTI, utilizado nos EUA, também apresentou queda, de 7,77%, sendo cotado a US$ 96,04.
A queda nos preços ocorre em um contexto de incertezas, com operadores avaliando a possibilidade de novos ataques dos EUA e Israel ao Irã, especialmente após as eleições de meio de mandato nos EUA, programadas para esta terça-feira (3). Pezeshkian comentou que o governo está buscando resolver a situação através do diálogo, reforçando a ideia de que o líder supremo concedeu poderes para facilitar as negociações.
O aiatolá Mojtaba Khamenei, que detém a palavra final em questões de Estado, não se manifestou publicamente desde o início da guerra em 28 de fevereiro. As declarações de Pezeshkian geraram volatilidade no mercado, enquanto as tensões no Oriente Médio continuam a influenciar os preços do petróleo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está pressionando o presidente dos EUA, Donald Trump, por uma rápida retomada das ofensivas, embora Trump tenha descartado qualquer ataque antes das eleições.
Francesco Pesole, estrategista do ING, destacou que os preços do petróleo já incorporam um prêmio de risco geopolítico elevado, e a retórica mais moderada de ambos os lados contribuiu para a redução dos preços. Nos últimos dias, mediadores regionais, liderados pelo Qatar, intensificaram os esforços para intermediar um acordo provisório entre os EUA e o Irã, com autoridades iranianas mantendo conversas em Doha.
Embora haja sinais de maior flexibilidade de ambas as partes, a incerteza persiste sobre a eficácia das negociações. Especialistas do setor alertam que as interrupções nos fluxos de petróleo do Oriente Médio têm reduzido as margens de segurança dos mercados globais, tornando os preços mais suscetíveis a oscilações. Russell Hardy, presidente-executivo da Vitol, comentou que o mercado enfrenta uma situação delicada entre oferta e demanda, questionando a capacidade de suportar mais interrupções.
A queda no preço do petróleo também teve reflexos positivos nas ações dos EUA, com o Nasdaq 100 e o S&P 500 registrando altas. O Nasdaq 100, que havia enfrentado uma queda de 3,5% na sexta-feira, subiu 0,4%, enquanto o S&P 500 avançou 0,6%. Ajay Rajadhyaksha, do Barclays, recomendou cautela ao retornar aos ativos de risco, destacando a continuidade da demanda por capacidade computacional, que ainda supera a oferta.
A desvalorização do petróleo também impulsionou uma alta nos títulos públicos, que estavam sendo pressionados pelos temores de inflação, levando o rendimento dos gilts de dez anos a cair para pouco menos de 5,2%.




