A recente vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais do Brasil ressoou fortemente na oposição argentina, sendo interpretada como um revés pessoal para o presidente Javier Milei. A derrota de Bolsonaro foi vista como uma lição sobre como derrotar o ultraliberalismo nas próximas eleições, programadas para outubro de 2027. A reviravolta de Lula no segundo turno, a primeira desde a redemocratização do Brasil, foi amplamente celebrada nas manchetes argentinas, ganhando o apelido de “Lulazo” e inspirando movimentos de esquerda em várias partes do mundo, incluindo a Argentina.
Poucas horas após a confirmação da vitória de Lula, foi criado o canal de WhatsApp “Exército do Peronismo”, inspirado na estratégia do deputado federal André Janones (Rede-MG), que buscava facilitar a comunicação com os apoiadores do petista. Em apenas uma semana, a ala do PT na Argentina recebeu mais de dez pedidos para conversas e entrevistas, com o intuito de compartilhar as lições aprendidas durante a campanha.
“A vitória de Lula evidencia a necessidade de organização e de unir esforços, tanto do ponto de vista político quanto tecnológico”, afirmou Martín Lousteau, deputado da União Cívica Radical, partido de centro-esquerda argentino. Ele acrescentou que a vitória é uma demonstração clara de que uma sociedade mobilizada pode frear e até derrotar a crueldade de certas vertentes da direita atual, que frequentemente desconsideram a democracia.
O impacto da vitória de Lula é ainda mais significativo quando se considera o atual cenário político da América Latina, que tem visto um movimento à direita nos últimos meses. Com a ascensão de líderes como Abelardo de la Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru, a região tem se tornado um espaço dominado por governos que vão da centro-direita ao ultraliberalismo, isolando Brasil, México e Uruguai como exceções.
“É um alento para as forças progressistas do nosso país”, declarou Jorge Kreyness, secretário-geral do Partido Comunista da Argentina. Ele acredita que a vitória de Lula pode sinalizar uma mudança de tendência, especialmente após um período em que a direita parecia dominar as eleições na região. “Acho que pode marcar uma mudança de tendência, vínhamos de uma onda em que a direita estava ganhando quase todas as eleições na região.”
Embora a vitória de Lula não tenha sido o resultado desejado pela maioria dos líderes das nações vizinhas, ela não foi percebida como uma derrota em nenhum outro país da região. O presidente argentino, por sua vez, havia apostado alto na eleição de Flávio Bolsonaro, e agora se vê em uma posição delicada, diante das novas dinâmicas políticas que emergem após o pleito brasileiro.




