Após as eleições, a cobrança por transformações nas promessas de campanha se intensifica, especialmente no que diz respeito à segurança pública. Os eleitores, que recentemente foram às urnas, colocam a segurança e o combate à violência no topo de suas prioridades. De acordo com uma pesquisa realizada pelo BTG/Nexus no início de setembro, 35% dos eleitores apontaram a segurança pública como o principal problema do Brasil, seguido pela saúde, com 31%, e pela corrupção, com 23%. A reportagem da Gazeta do Povo ouviu cinco especialistas em segurança pública para entender quais devem ser as prioridades dos políticos eleitos nas diferentes esferas de governo. Entre as principais demandas estão o aumento da responsabilidade dos municípios e do governo federal no combate ao crime, a reforma e o fortalecimento das polícias, a coordenação entre os órgãos de segurança e a redução do financiamento do crime organizado. A promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos destaca a necessidade de aprovar o Estatuto da Vítima e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, que visa constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Segundo Santos, essas medidas são fundamentais para garantir direitos às vítimas de crimes e integrar os esforços de combate ao crime em nível federal, estadual e municipal. Wagner Mesquita, delegado aposentado da Polícia Federal, enfatiza a importância da municipalização da segurança, ressaltando que os municípios devem assumir um papel mais ativo no policiamento comunitário. Ele também defende a implementação de sistemas de videomonitoramento e a criação de novas unidades de segurança máxima para lidar com a criminalidade. Já Edson Pinheiro dos Santos Júnior, delegado da Polícia Civil de São Paulo, aponta que é essencial fortalecer as investigações policiais para desmantelar as facções criminosas. Ele argumenta que a integração entre as polícias de diferentes estados é crucial, uma vez que o crime organizado atua sem respeitar fronteiras. Essas vozes de especialistas ressaltam que a janela política após as eleições é um momento oportuno para que os novos gestores priorizem a segurança pública. A implementação de políticas eficazes e a aprovação de legislações necessárias são passos fundamentais para transformar as promessas de campanha em ações concretas que atendam às demandas da população. Com o início dos novos mandatos em janeiro, é esperado que os eleitos coloquem em prática essas pautas prioritárias, respondendo assim às cobranças da sociedade por um Brasil mais seguro.




