O governo da França está mobilizando 70 mil militares para o próximo sábado (31), quando se esperam novos protestos em massa contra o aumento do custo de vida. As autoridades consideram esses atos de alto risco, especialmente devido à possibilidade de episódios de violência e saques. Coincidindo com a celebração do Halloween, há uma preocupação adicional com o uso de máscaras, que podem ser utilizadas para ocultar a identidade de indivíduos envolvidos em distúrbios. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, destacou que o país contará com um “dispositivo de segurança excepcional” e alertou sobre as “muito elevadas” chances de perturbações da ordem pública. Ele mencionou que as autoridades identificaram diversas convocações para atos violentos nas redes sociais, atribuídas a grupos da esquerda radical e ao movimento dos Coletes Amarelos, que simboliza a revolta contra as políticas do governo.
Nuñez enfatizou que as autoridades adotarão uma postura rigorosa diante de possíveis distúrbios. Além dos 70 mil militares, que incluem unidades especializadas, as forças de segurança estarão equipadas com drones, helicópteros, cães farejadores e veículos blindados para conter quaisquer atos criminosos. O ministro também afirmou que a celebração do Halloween não será uma justificativa para que as pessoas escondam o rosto em espaços públicos com a intenção de cometer vandalismo. Desde o início dos protestos, em setembro, 1.193 militares ficaram feridos, e ao menos um manifestante perdeu a vida, com mais de 2.700 detenções registradas.
Os protestos, que têm gerado caos no país, são marcados por episódios de violência, saques e incêndios. Nuñez chegou a afirmar que as autoridades perderam o controle da situação em algumas cidades e apresentou sua demissão ao presidente Emmanuel Macron, que a rejeitou. Este será o terceiro chamado para protestos em três semanas. Na primeira convocação, em 17 de outubro, milhares de estabelecimentos comerciais foram saqueados ou depredados, e prédios públicos foram incendiados em cidades como Paris, Lyon e Marselha.
Na segunda jornada de protestos, em 24 de outubro, o esquema de segurança foi reforçado e, embora a maioria das manifestações tenha ocorrido de forma pacífica, houve episódios isolados de violência. Nas duas ocasiões, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas. O governo determinou que as manifestações deste sábado sejam realizadas fora dos centros urbanos, em áreas periféricas, como ocorreu na semana anterior. Em Paris, a proibição de manifestações no centro da cidade gerou uma disputa judicial entre as autoridades e os organizadores dos atos.



