Post: Produtor rural transforma herança em negócio familiar no Mato Grosso do Sul

Victor da Silva Machado transformou a herança do pai em um negócio rural próspero no Mato Grosso do Sul, envolvendo toda a família.
Produtor rural transforma herança em negócio familiar no Mato Grosso do Sul

Quando Victor da Silva Machado decidiu deixar Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, para viver no campo, ele não imaginava que o Rancho Chão Parado, em Jaraguari, se tornaria uma das principais fontes de renda da sua família. Após 17 anos, a chácara de 10 hectares, que começou como um projeto do pai, hoje cultiva hortaliças, cria animais e aproveita as frutas do cerrado, envolvendo também seus filhos nos planos para o futuro. A mudança para o Assentamento Estrela, próximo à BR-262, foi um divisor de águas na vida de Victor, que agora tem 48 anos. Seu pai, um trabalhador rural, havia recebido um lote no local e sonhava em construir uma vida no campo. Infelizmente, ele faleceu de câncer após um ano de trabalho na terra. Para honrar a memória do pai e dar continuidade ao projeto, Victor assumiu a chácara e começou a desenvolver o que hoje é um próspero negócio familiar. “Significou demais para mim continuar o projeto do meu pai, porque ele queria morar na área rural. As coisas aconteceram muito rápido e foi muito boa a decisão de virmos para cá”, relembra Victor. Em 2009, ele se mudou para a propriedade rural com sua esposa, Ana Paula, e seus filhos. Na época, a família possuía uma poupança que acabou em um ano, e a estrutura da casa era bastante precária, com apenas dois cômodos e sem energia elétrica. “Não foi fácil. Largamos tudo que tínhamos na cidade, no caso, o conforto. Não tinha nem energia quando viemos para cá. Ficamos um ano sem luz”, relata. A propriedade também carecia de água potável, que era adquirida em garrafas, enquanto os animais se abasteciam de uma nascente local. Após cinco anos, Victor começou a construir uma casa maior, um projeto que levou uma década para ser finalizado. Com o tempo, a chácara passou a ser um verdadeiro lar. Victor e sua família plantaram mais de 3 mil árvores, incluindo palmeiras, coqueiros e diversas árvores frutíferas. O nome do rancho, uma brincadeira com seu pai, reflete o início da propriedade: “O nome desse negócio é Chão Parado. Não tem movimento nenhum aqui, tudo parado”, recorda. A primeira estratégia para gerar renda foi o cultivo de hortaliças, como tomate, abobrinha, cheiro-verde e alface. A produção era vendida na cidade, e Victor também começou a criar porcos. Atualmente, ele mantém hortaliças em menor escala, mas implantou um sistema hidropônico que permite a produção de mil pés de alface por mês, além de cultivar agrião em períodos alternados. O Rancho Chão Parado também abriga 15 carneiros, dois porcos e 2 mil tilápias. Parte da área é destinada à pastagem, e uma vez por ano, Victor coleta frutas do cerrado para produzir licor, que é vendido na feira de agricultura familiar no final do ano. Apesar da diversificação, as hortaliças continuam sendo a principal fonte de renda da família. A comercialização dos produtos também evoluiu. No início, Victor precisava ir até a cidade em busca de pequenos mercados e clientes. Hoje, ele se beneficia do mercado local, que conta com cerca de 300 propriedades na região e uma feira de agricultura familiar aos domingos. A mão de obra na propriedade é majoritariamente familiar. Victor e Ana Paula são os principais responsáveis pelo trabalho no rancho, enquanto os filhos também contribuem. Joianne, a filha mais velha, permanece na propriedade, e João Victor Pereira Machado, de 19 anos, trabalha em uma empresa de reflorestamento, ajudando no rancho nos fins de semana. João começou a trabalhar com o pai aos 13 anos e considera a rotina no campo fundamental para sua formação. “O serviço tem que ser realizado todo dia e não pode procrastinar. Depende de você estar ali, envolvido diariamente”, diz. Ele já pensa em continuar a atividade rural no futuro e pretende investir na chácara. Victor também destaca a importância do apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) do MS, que tem auxiliado a família em diversas áreas, como o controle de pragas e a ovinocultura. O produtor conta que possui estrutura para embarcar os carneiros e os vende para um frigorífico local. Com novos planos em mente, Victor deseja expandir as possibilidades de geração de renda. Como a família já trabalha com produção de alimentos e gosta de cozinhar, ele planeja vender peixe frito nos fins de semana e receber visitantes da cidade, oferecendo também carneiro assado. Enquanto pensa nos próximos passos, Victor vê no trabalho construído ao longo de 17 anos uma atividade capaz de sustentar sua família. “A propriedade representa uma renda que dá para a gente sobreviver bem aqui”, afirma. Para João, a continuidade do negócio é uma forma de honrar o legado do pai. “Ver o que ele construiu me faz dar valor a tudo que tenho e ao que meu pai faz por mim e pela minha família. Quero ser igual a ele, alguém que persevera, corre atrás e quer sempre se aprimorar”, finaliza.

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