Na primavera de 2020, uma revelação surpreendente começou a circular entre os círculos políticos: o governo holandês havia monitorado o telefone de Jared Kushner, genro de Donald Trump, enquanto ele acessava uma conta bancária em Dubai. O que levantou suspeitas foi a origem do dinheiro na conta, que somava centenas de milhões de dólares e vinha de um banco no Azerbaijão. O autor Matthew Cole, em seu novo livro “Príncipes e ladrões: o plano secreto de Jared Kushner e Mohamed bin Zayed para refazer o Oriente Médio”, expõe uma narrativa que mistura diplomacia, subornos e uma teia de interesses escusos que permeiam a política internacional, revelando os bastidores da atuação de Kushner e suas relações com figuras controversas.
O livro, que já gera polêmica às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, traz à tona contatos de Kushner com monarquias do Golfo Pérsico, a Rússia de Vladimir Putin e o governo de Israel, liderado por Binyamin Netanyahu. A trama se inicia com um hacker russo, que, ao ser desmascarado, decide mudar de lado e expor informações cruciais sobre movimentações financeiras de Kushner, revelando uma rede de corrupção e poder.
A partir de 2017, durante o primeiro mandato de Trump, Kushner teria utilizado bancos no Azerbaijão para lavar grandes quantias de dinheiro, convertendo moedas árabes em dólares americanos. O autor levanta questões sobre a legalidade dessas operações, uma vez que Kushner ocupava um cargo oficial no governo e não poderia ter acesso a tais contas. Essa situação se complica ainda mais quando se considera que, na época, seus projetos imobiliários estavam em apuros, incluindo um empréstimo bilionário relacionado a um imóvel em Manhattan.
Com a volta de Kushner à Casa Branca no segundo mandato de Trump, como conselheiro informal, ele continuou a ter acesso a informações estratégicas que beneficiam sua empresa de investimentos, a Affinity Partners, criada em 2021. O livro provoca reflexões sobre os interesses da família Trump em diversas áreas, como criptomoedas, tecnologia e armamentos, enquanto o presidente americano parece gozar de uma imunidade ampliada na Justiça, permitindo que seus familiares explorem oportunidades de negócios sem a mesma vigilância.
“Príncipes e ladrões” não apenas expõe os meandros da política americana, mas também questiona a ética e a moralidade que cercam as relações de poder. A obra de Cole promete ser um divisor de águas nas discussões sobre a influência de Kushner e sua família no cenário político e econômico, levantando um alerta sobre os perigos da intersecção entre negócios e política em um mundo cada vez mais interconectado.



