Após as recentes eleições presidenciais, o Brasil se deparou com a proposta de uma alíquota de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), sugerida pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Essa proposta gerou um clima de perplexidade e indignação entre os empresários, que já começam a prever uma carga total em torno de 30% quando combinada com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o segundo tributo que será introduzido pela reforma tributária. Essa situação revela um aspecto preocupante do sistema tributário brasileiro: a falta de transparência sobre a carga tributária que incide sobre o consumo de bens e serviços.
O que se torna evidente é que, apesar de a população não ter plena consciência do quanto paga em impostos, a alíquota proposta expõe a realidade crua do sistema tributário. O peso dos tributos sobre o consumo é alarmantemente alto, mas permanece oculto, o que acaba beneficiando os governos e prejudicando os contribuintes. Até então, muitos brasileiros não tinham noção da verdadeira dimensão da carga tributária que suportam para acessar produtos e serviços.
Embora o Senado tenha a possibilidade de ajustar a alíquota da CBS, a expectativa é de que o valor não sofra uma redução significativa. A implementação do novo tributo está prevista para janeiro de 2027. Inicialmente, as estimativas indicavam que a alíquota ficaria um pouco acima de 9%, mas tanto a Receita Federal quanto especialistas do mercado subestimaram a carga tributária.
Atualmente, o sistema tributário brasileiro é extremamente fragmentado. Em uma única nota fiscal, o contribuinte pode pagar tributos de diferentes esferas — municipal, estadual e federal — sem ter plena consciência disso. Essa complexidade contribui para a falta de clareza sobre o quanto realmente se paga em impostos.
O Brasil já possui uma das maiores alíquotas do mundo, mas a carga tributária permanece oculta aos olhos dos consumidores. O desafio agora é fazer com que essa realidade se torne mais visível e compreensível para todos os cidadãos, permitindo que eles entendam melhor o impacto dos tributos em seu dia a dia e, assim, possam exigir mais transparência e justiça no sistema tributário.



