Um possível aumento no preço do diesel em 2027 pode levar a Motiva a solicitar um reequilíbrio em seus contratos de concessão. Rodrigo Araújo, CFO da empresa, destacou essa possibilidade durante uma conferência de resultados do terceiro trimestre. Ele afirmou que a companhia está enfrentando uma situação que pode justificar uma discussão de força maior, semelhante ao que ocorreu em 2022, durante a Guerra da Ucrânia. Na ocasião, a Motiva buscou reequilíbrios devido a condições adversas.
Recentemente, os governos estaduais aprovaram um aumento nas alíquotas de ICMS sobre combustíveis, que impactará diretamente o preço final do diesel, gasolina e gás de cozinha. A alta, que será de R$ 0,13 por litro (11,1%), entrará em vigor no primeiro dia de fevereiro de 2027. Araújo ressaltou que o diesel representa cerca de 15% dos custos relacionados a investimentos da Motiva, principalmente devido ao uso de máquinas e equipamentos em campo.
A reforma tributária também tem gerado preocupação na empresa, especialmente após o Tribunal de Contas da União divulgar uma alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) de 11,3%, superando as expectativas do mercado, que giravam em torno de 9,5%. Araújo alertou que essa carga tributária maior pode impactar o crescimento econômico e a dinâmica do setor.
Outro ponto levantado pelo executivo foi a preparação dos fornecedores, que, segundo ele, ainda está aquém do necessário para enfrentar as mudanças que se aproximam. Araújo observou que muitos fornecedores ainda não estão prontos para a virada significativa que ocorrerá em breve.
Apesar das incertezas, Araújo afirmou que a maior parte do portfólio da Motiva está blindada contra mudanças macroeconômicas. Ele destacou que cerca de 80% do portfólio da empresa está protegido em termos de fluxo de caixa e mitigação de riscos. Isso faz com que a Motiva se sinta menos preocupada com as flutuações de demanda e crescimento econômico, devido à diversificação de seus ativos.
No terceiro trimestre deste ano, a Motiva reportou um lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões, um aumento de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado positivo é atribuído ao bom tráfego nas rodovias e ao desempenho favorável de concessões em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Neste ano, a Motiva também começou a cobrar pedágios em novas concessões, como na Motiva Paraná, que abrange 569 km conectando o norte do estado a Ponta Grossa e ao Porto de Paranaguá, e na Motiva Sorocabana, que cobre 460 km em doze rodovias no interior de São Paulo. A empresa opera ainda a concessão da Dutra e da Rio-Santos, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com um histórico que remonta a 1999, a Motiva possui uma receita líquida de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre e opera em 18 ativos em oito estados, com uma carteira de rodovias que soma 5.044 quilômetros.




