O acesso aos serviços financeiros no Brasil está se tornando cada vez mais equitativo, conforme aponta um estudo da Fin (Confederação Nacional das Instituições Financeiras). A pesquisa revela que a bancarização e o uso de pagamentos instantâneos, como o Pix, têm desempenhado um papel crucial nesse processo, especialmente em regiões onde o crédito era historicamente menos acessível. Em setembro, o Pix movimentou impressionantes R$ 3,8 trilhões, evidenciando seu impacto significativo na inclusão financeira.
O estudo, conduzido por Vinícius Botelho, gerente de assuntos econômicos da Fin, destaca que o crescimento do uso do Pix foi mais acentuado nos estados onde o crédito tinha menor peso na economia no início do período analisado, entre 2020 e 2025. Botelho explica que o sistema de pagamentos instantâneos não apenas facilita transações, mas também cria um efeito de rede: quanto mais pessoas utilizam a ferramenta, maior o incentivo para que outras se integrem ao sistema bancário.
A bancarização no Brasil avançou de forma significativa, com pelo menos 94% da população adulta mantendo um relacionamento ativo com instituições financeiras até 2024. O Norte do país se destacou, registrando um crescimento de 20,8% no número de pessoas bancarizadas entre 2020 e 2024, seguido pelo Nordeste, com um aumento de 13,3%. A pandemia de Covid-19 foi um marco nesse processo, pois o distanciamento social e o auxílio emergencial, disponibilizado por meio de contas digitais, levaram 9,8 milhões de pessoas a abrir contas em instituições financeiras desde março de 2020, antes mesmo do lançamento do Pix em novembro daquele ano.
Além disso, a atividade financeira cresceu em 21 dos 27 estados entre 2022 e 2023, superando o crescimento da economia local. No Norte, a atividade financeira avançou 12,2%, enquanto o PIB da região cresceu apenas 2,9%. No Centro-Oeste, o crescimento foi de 11,9%, em contraste com uma alta de 8,1% na economia regional. Botelho menciona que a inclusão financeira está associada a diversos fatores, incluindo o empreendedorismo e o acesso ao mercado de trabalho, uma vez que facilita o acesso ao crédito.
O relatório também revela que o crédito por habitante aumentou mais nos estados onde o saldo de empréstimos e financiamentos por pessoa era menor. Entre 2024 e 2025, o volume real de crédito avançou, em média, 7% nas unidades federativas que tinham menos de R$ 20 mil por pessoa em empréstimos em 2024, enquanto a alta média nos demais estados foi de 4%. Apesar desse progresso, o crédito por habitante ainda é, em geral, mais elevado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na média das 27 unidades da federação, o volume real de crédito por habitante cresceu 5,6% no mesmo período, com as operações com pessoas físicas representando cerca de três quartos desse total.



