A líder opositora María Corina Machado voltou à Venezuela neste domingo (25) após quase um ano fora do país. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, ela busca retomar seu papel na política nacional em um contexto de negociações sobre a transição política, que estão sendo conduzidas pelo regime interino de Delcy Rodríguez, com o apoio dos Estados Unidos. “Estou aqui. Com vocês”, declarou María Corina em suas redes sociais ao anunciar seu retorno.
Edmundo González Urrutia, que concorreu à Presidência com o apoio de María Corina em 2024, também celebrou a volta da líder. Ele expressou sua emoção em um comunicado: “É com imensa emoção que anuncio a vocês que nossa líder, minha querida María Corina, está em território venezuelano”. González afirmou que planeja se encontrar com ela no país em breve.
María Corina havia deixado a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz, após passar mais de um ano na clandestinidade para evitar a prisão. Desde então, ela tentou retornar ao país em várias ocasiões, mas sem sucesso. Sua volta acontece em um momento de incertezas em relação ao calendário eleitoral no país. Após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro, Delcy, ex-vice do ditador, continuou no poder e iniciou negociações com Washington e setores da oposição para discutir mudanças nas instituições eleitorais e judiciais.
Embora Donald Trump e Delcy tenham afirmado que haverá eleições, ainda não foi anunciada uma data. O movimento de María Corina, conhecido como Vente Venezuela, está excluído dessas conversas. A opositora defende que a eleição presidencial ocorra até julho de 2027. A oposição também alega que González venceu o pleito de 2024, cuja apuração completa nunca foi divulgada pelo regime de Maduro.
Na última quinta-feira (22), milhares de venezuelanos participaram de protestos em Caracas e outras cidades, exigindo eleições livres, um calendário eleitoral e a libertação de presos políticos. Essa foi a primeira mobilização nacional da oposição em quase dois anos, refletindo a crescente insatisfação popular com a situação política do país.




