A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, fez sérias acusações contra Alejandro Betancourt, um empresário que se tornou um importante aliado do governo dos Estados Unidos na indústria petrolífera da Venezuela. Em uma entrevista recente, Machado afirmou que Betancourt é responsável por “corrupção escandalosa” e que não seria um parceiro de negócios viável caso ela assuma o poder no país. Essa declaração marca a primeira vez que a opositora se pronuncia publicamente sobre Betancourt, que recentemente firmou um acordo lucrativo com a administração Trump para controlar cerca de 20% das reservas petrolíferas da Venezuela.
O acordo colocou Betancourt no centro da estratégia dos EUA para a Venezuela, em um momento em que a administração Trump é acusada de transformar o país em um verdadeiro Estado vassalo. Um auditor independente do setor de energia venezuelano revelou que o empresário acumulou riqueza através de contratos sem licitação para usinas de energia, que incluíam superfaturamento de serviços prestados a entidades estatais. Machado, que lidera a oposição há três anos, não pôde retornar ao seu país, mesmo com o controle significativo dos EUA sobre a Venezuela e as repetidas declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a necessidade de uma transição democrática. Em sua entrevista, realizada no Panamá, onde reside temporariamente, ela criticou a exclusão de seu partido das negociações em andamento em Caracas, que envolvem um grupo de oposição diferente do seu. A relação entre Machado e o governo Trump tem sido tensa, especialmente após os desastres naturais que atingiram a Venezuela em junho. A líder opositora pressionou Washington para que a ajudasse a retornar ao país, mas o governo temia que isso pudesse desestabilizar ainda mais a situação. Em resposta a uma pergunta sobre a intenção da Casa Branca de contar com a complacência de Delcy Rodríguez, Machado afirmou acreditar que o governo dos EUA, no fundo, busca a democracia na Venezuela.
“Sim, alguns acordos estão sendo fechados agora, mas isso é apenas uma fração do que será feito quando tivermos segurança, estabilidade e legitimidade na Venezuela”, declarou a opositora. Uma pesquisa recente da Bloomberg News indicou que 52% dos entrevistados apoiariam Machado em uma eleição presidencial, enquanto apenas 19% votariam em Rodríguez.
Em relação aos contratos e acordos firmados, Machado deixou claro que, se estiverem alinhados com as leis venezuelanas, serão respeitados. No entanto, ela criticou Betancourt, afirmando que ele não é um parceiro sério, pois lucrou com contratos de energia enquanto a rede elétrica do país permanecia em colapso. Ela o chamou de “um dos principais responsáveis pelo que nosso povo está sofrendo agora”.
Sobre o futuro de Delcy Rodríguez, que enfrenta acusações de graves violações dos direitos humanos, Machado afirmou que, segundo a Constituição e tratados internacionais, existem crimes que não estão sujeitos a anistia ou perdão. A líder opositora, que ganhou destaque após vencer uma eleição primária há três anos, mobilizou milhões de venezuelanos para apoiar seu movimento nas eleições presidenciais de 2024. Apesar de evidências de que seu candidato havia vencido, Nicolás Maduro reivindicou a vitória, resultando em protestos massivos e repressão violenta por parte do Estado, que culminou na prisão de mais de 2.000 pessoas e na morte de mais de duas dúzias durante os distúrbios. Desde então, Machado vive na clandestinidade na Venezuela.



