O debate promovido pela TV Globo entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por intensas trocas de acusações e defesas de propostas. O clima esquentou quando Flávio insinuou que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, uma referência ao dedo mínimo do presidente, perdido em um acidente de trabalho há quase seis décadas. Lula não hesitou em responder, afirmando que não permitiria que um “miliciano” o chamasse de “nove dedos” e exigiu desculpas do adversário.
“Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo”, declarou Lula, enfatizando a importância do trabalho seguro.
Após a troca de farpas, Flávio Bolsonaro pediu desculpas, mas não hesitou em retomar os ataques, questionando Lula sobre o aumento da população em situação de rua durante seu governo. “Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas aos moradores de rua que dobraram diante do seu governo. E combate à pobreza esse que você faz?”, indagou o senador, que também criticou Lula por chamá-lo de miliciano.
Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas indicam que 365,8 mil pessoas estavam em situação de rua em dezembro de 2025, um aumento significativo em relação a anos anteriores. Flávio Bolsonaro utilizou esses números para reforçar suas críticas ao governo.
Lula, por sua vez, não deixou de questionar Flávio sobre sua postura em relação às políticas sociais, especialmente o Bolsa Família. O presidente lembrou postagens antigas do senador, que se referia ao programa como “bolsa-farelo”, e afirmou que isso demonstra falta de respeito com o povo pobre. Flávio, no entanto, assegurou que pretende manter e ampliar os benefícios sociais.
Outro ponto de tensão foi o endividamento das famílias brasileiras. Flávio Bolsonaro atribuiu os altos juros e o aumento das dificuldades financeiras da população ao governo de Lula. O presidente, por sua vez, defendeu que a questão está relacionada à política de juros do Banco Central e destacou que o crescimento econômico é o caminho para resolver o problema.
Flávio também mencionou uma dívida de R$ 11 trilhões, referindo-se à Dívida Bruta do Governo Geral do Brasil. Em resposta, Lula afirmou que sua administração já havia encaminhado propostas de renegociação de dívidas ao Senado, e que o governo já havia realizado operações significativas para ajudar a população endividada.
No que diz respeito ao Sistema Único de Saúde (SUS), Lula questionou Flávio sobre declarações de membros de sua equipe econômica que sugeriam a falta de investimento no sistema. O presidente criticou a gestão da pandemia durante o governo Bolsonaro e ressaltou a importância do SUS na proteção da saúde pública.
Flávio, por sua vez, comprometeu-se a manter e ampliar os investimentos no SUS, mas criticou a gestão atual, mencionando problemas como filas de atendimento e corrupção. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo”, afirmou, prometendo cortar gastos desnecessários e aumentar a tabela de procedimentos do SUS.



