Post: Lula 3 reconquista apoio entre jovens e pobres após choque de realidade

Lula 3 melhora sua avaliação e reconquista apoio entre jovens e pobres, após choque de realidade em sua campanha.
Lula 3 reconquista apoio entre jovens e pobres após choque de realidade

Desde dezembro de 2024, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apresentava uma avaliação tão positiva quanto a divulgada pelo Datafolha nesta quinta-feira (22). O saldo negativo da avaliação de Lula 3, que mede a diferença entre as notas “ruim ou péssimo” e “ótimo e bom”, caiu para apenas 3 pontos negativos, um resultado ligeiramente pior que o de Jair Bolsonaro no mesmo período da campanha de 2022, que tinha um saldo negativo de 1 ponto.

A pesquisa levanta questões sobre o cenário eleitoral atual, especialmente considerando que a eleição parece estar empatada, conforme indicam os dados do Datafolha. Contudo, é importante observar que a direita tem obtido mais votos nas urnas do que nas pesquisas, um fenômeno que se repetiu desde 2018.

A melhora na avaliação de Lula é um fator relevante, já que sua popularidade estava estagnada desde setembro. Avaliações negativas podem ser um obstáculo significativo para a reeleição. O estreitamento da diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, juntamente com a recuperação de votos entre jovens e no Nordeste, sugere que a intensa campanha petista, que se intensificou após a derrota no primeiro turno, está começando a dar frutos. Essa mobilização foi tão intensa que chegou a ser descrita como uma “psicose eleitoral”.

Entre o primeiro Datafolha após o primeiro turno, divulgado em 8 de outubro, e a pesquisa mais recente, a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula caiu 2,3 pontos percentuais. A queda foi ainda mais acentuada entre os homens, com uma redução de 5,8 pontos, e entre jovens de 16 a 24 anos, onde a diferença diminuiu em 12,6 pontos. No Nordeste, a diferença foi de 8,6 pontos, e entre eleitores com ensino médio, 8,2 pontos. Embora esses números estejam próximos da margem de erro, indicam uma tendência de recuperação.

A campanha petista fez a diferença, com uma mobilização significativa de apoiadores, especialmente entre os mais jovens. O governo adotou estratégias de comunicação nas redes sociais, utilizando o chamado “Exército de Lula”, coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). Lula 3 também fez uso de táticas mais agressivas para conquistar votos, similar ao que Jair Bolsonaro fez antes de sua ascensão ao poder.

A cúpula do PT parece ter percebido que ainda há uma base de militância disposta a apoiar o partido e a esquerda, apesar de sua desconexão com a realidade política atual. Desde o início do governo, muitos líderes petistas não compreenderam a magnitude de sua minoria na política e ignoraram a necessidade de diálogo com o centro, tanto partidário quanto não partidário. Além disso, falharam em entender as condições econômicas que mais afetam a população, como inflação e dívidas, e a ascensão do bolsonarismo.

A desconexão do governo com o mundo digital e a política das ruas foi um erro crítico. A expectativa de que Flávio Bolsonaro seria um adversário fácil se mostrou equivocada. O lulismo-petismo, então, teve que enfrentar um choque de realidade, redescobrindo a importância da mobilização popular e do engajamento político. Essa nova percepção pode ser crucial para o futuro da candidatura de Lula nas eleições.

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