A inteligência artificial (IA) está transformando a forma como consumimos e interpretamos informações, levando a um aumento alarmante da desinformação. Um estudo recente da Agência Lupa, que analisou 1.294 checagens em pelo menos dez idiomas, revela que 81,2% dos casos de desinformação envolvendo IA surgiram apenas nos últimos dois anos, destacando a urgência de uma resposta adequada a essa ameaça.
O impacto da IA na desinformação
O levantamento intitulado “O impacto da IA no Fact-checking Global” mostra que a desinformação tem se proliferado em temas sensíveis, como eleições, guerras e golpes. A gerente de inovação da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, enfatiza que a maioria dos conteúdos analisados pelos checadores é classificada como falsa ou enganosa. “A IA dificilmente tem sido feita para impulsionar conteúdos verdadeiros”, afirmou Tardáguila em entrevista à Agência Brasil.
Formatos variados de desinformação
Além de vídeos, a desinformação se apresenta em diversos formatos, como áudios curtos, fotos e textos. A pesquisadora alerta para o uso dessas tecnologias em períodos eleitorais, que pode ameaçar a integridade democrática. “Este é um ano eleitoral importante no Brasil e em outros países da região, como os Estados Unidos, Peru, Costa Rica e Colômbia”, destacou.
“Os eleitores vão enfrentar uma enxurrada de conteúdos gerados por IA, muitos dos quais podem ser falsos”, acrescentou Tardáguila.
Desinformação em múltiplas línguas
O estudo revela que a desinformação não tem um recorte geográfico, mas sim linguístico. Em inglês, foram identificados 427 casos, seguidos por 198 em espanhol e 111 em português. Essa diversidade linguística ressalta a necessidade de uma abordagem global para combater o problema.
A importância da educação midiática
Para enfrentar a desinformação, Tardáguila defende a promoção da educação midiática, que capacita os cidadãos a discernir informações verdadeiras de falsas. “A educação midiática pode atuar como uma vacina contra a desinformação, preparando as pessoas para reconhecer mentiras, especialmente aquelas geradas por IA”, afirmou.
“Precisamos que a informação de qualidade chegue antes, para que as pessoas estejam preparadas e resilientes”, concluiu a pesquisadora.
Políticas públicas e o papel das instituições
Além da educação midiática, a pesquisadora enfatiza a necessidade de políticas públicas que integrem a literacia midiática nas escolas. As empresas de comunicação e agências de checagem também têm um papel crucial nesse processo, garantindo que a checagem siga critérios de transparência e rigor.
“2026 será um ano em que veremos cada vez mais IA. É fundamental que os brasileiros se preparem e estejam ativos na identificação da desinformação”, alertou Tardáguila.
Por fim, a Agência Lupa oferece um curso gratuito para iniciantes em checagem de informações, capacitando qualquer cidadão a verificar a legitimidade das informações que recebe.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







