A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está de olho em uma expansão para outros estados e não descarta a possibilidade de uma parceria com a Sabesp, conforme revelou o CEO da empresa, Wilson Bley, durante um evento em São Paulo. Ele destacou que a ampliação da atuação da Sanepar depende das oportunidades que surgirem no mercado, com o objetivo de se tornar uma operadora de alcance nacional.
Bley enfatizou que, embora a Sanepar esteja disposta a entrar em novos mercados, isso não deve comprometer os investimentos no Paraná. “A nossa participação pode ser menor, mas queremos nos posicionar no mercado, trazendo novas receitas e a expertise que construímos ao longo dos anos. O ideal é sempre trabalhar em consórcios para garantir que o foco no Paraná não seja perdido”, afirmou.
A Sanepar, que é uma sociedade de economia mista controlada pelo governo paranaense, atende atualmente 344 municípios no Paraná e um em Santa Catarina. O CEO mencionou que a empresa possui um memorando de entendimento com a espanhola Acciona, assinado no ano passado, para participar de concorrências públicas, o que faz parte de um pacote de iniciativas para aumentar a receita e reduzir perdas.
Uma das estratégias em discussão é a venda de água tratada de esgoto para indústrias, ao invés de água potável. Essa iniciativa foi formalizada em um acordo com o grupo espanhol GSInima, que foi assinado durante a Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente). Bley destacou que a meta da Sanepar é antecipar para 2029 a universalização do saneamento no estado, quatro anos antes do prazo estipulado pelo marco legal do setor. Atualmente, a cobertura de esgoto é de 84%, e a empresa espera alcançar 90% até 2029.
Além disso, a companhia está explorando o mercado de carbono, utilizando as emissões de óxido nitroso provenientes do tratamento de esgoto. Segundo Bley, o tratamento de esgoto representa 93% das emissões da Sanepar, e a empresa está buscando formas de trabalhar a sustentabilidade de maneira mais eficaz. Ele também mencionou que a Sanepar possui 110 mil quilômetros de rede subterrânea que podem ser utilizadas para a instalação de fibra óptica, o que representa uma nova oportunidade de receita.
No segundo trimestre de 2026, a Sanepar registrou uma receita líquida de R$ 1,9 bilhão, um aumento de 11,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, a empresa também enfrentou um prejuízo de R$ 505,2 milhões no trimestre, devido a provisões relacionadas a uma decisão regulatória sobre o repasse de precatórios aos consumidores. Sem esse impacto, o lucro teria sido de R$ 447 milhões.
Bley ressaltou que 75% dos recursos provenientes de novos negócios serão destinados à redução tarifária, enquanto 25% permanecerão com a companhia. A ampliação das receitas e a redução de custos podem abrir caminho para uma possível privatização da Sanepar, dependendo da vontade do governador eleito, Sergio Moro. Embora a privatização tenha sido discutida anteriormente, Bley não vê essa necessidade no momento, afirmando que a empresa opera de forma mercadológica e não ideológica.




