O iFood Benefícios anunciou nesta terça-feira (20) a aquisição da rival Caju, um movimento que poderá reposicionar a empresa entre as quatro maiores do setor de benefícios no Brasil. A transação, que ainda precisa da aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), visa consolidar a presença do iFood em um mercado que movimenta cerca de R$ 150 bilhões anualmente, atendendo mais de 22 milhões de trabalhadores em 470 mil empresas cadastradas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
Embora os valores da negociação não tenham sido revelados, fontes do mercado indicam que o acordo gira em torno de centenas de milhões de reais. O iFood já havia tentado adquirir a Caju há cerca de três anos, e as negociações foram reabertas em junho deste ano. Segundo Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, a compra pode “dobrar o tamanho da operação”, proporcionando um portfólio mais competitivo e uma capacidade de investimento ampliada.
“Com essa complementaridade, teremos um produto muito mais robusto, além de melhores serviços e atendimento”, afirmou Freitas. Desde 2023, a receita do iFood Benefícios tem crescido a taxas anuais de 80%. Atualmente, a plataforma conta com 1,7 milhão de cadastros e 65 mil empresas clientes, transacionando R$ 1,3 bilhão por mês. A Caju, por sua vez, atende 1,3 milhão de usuários e cerca de 70 mil empresas.
Após a fusão, as duas empresas terão uma base combinada de 3 milhões de usuários e mais de 130 mil empresas, aproximando-se dos números da VR Benefícios, que possui cerca de 4 milhões de usuários. Entretanto, ainda estão distantes das líderes do setor, Alelo e Edenred, que têm mais de 10 milhões de trabalhadores cadastrados cada.
A fusão ocorre em um momento de transformação no mercado de benefícios. Em novembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que limita as taxas cobradas pelas operadoras de benefícios a 3,6%, promovendo uma maior concorrência. Antes, as taxas eram significativamente mais altas, o que favorecia um modelo de negócios fechado. Com a nova regulamentação, os vouchers de vale-refeição e vale-alimentação devem ser aceitos em qualquer estabelecimento cadastrado, como padarias e supermercados.
Eduardo Del Giglio, CEO da Caju, ressaltou que a mudança na regulamentação é um pano de fundo interessante para a transação, mas a motivação principal é criar valor para empresas e colaboradores. Ele destacou sinergias entre os produtos das duas empresas, como a integração de soluções de despesas corporativas.
A aquisição da Caju representa a maior operação do tipo realizada pelo iFood Benefícios desde sua fundação em 2020. O montante investido faz parte de uma estratégia mais ampla do iFood, que planeja investir R$ 24 bilhões no Brasil. A empresa, controlada pela holding de tecnologia Prosus, estava em busca de formas de expandir sua atuação no mercado e já havia dialogado com outras empresas do setor antes de concretizar a compra da Caju.
Ainda não está claro se a marca Caju continuará após a aprovação do negócio pelos órgãos competentes. A empresa, que também foi fundada em 2020, atualmente emprega cerca de 700 funcionários. Del Giglio comentou sobre as mudanças no mercado, destacando a evolução das soluções e a crescente competitividade. Ele acredita que a união dos ecossistemas de produtos é o caminho para o sucesso futuro.




