Uma nova pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos revela que, embora a maioria dos americanos ainda apoie a pena de morte para crimes graves, esse respaldo tem diminuído. Segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira (20), 55% dos entrevistados são favoráveis à pena capital, uma queda em relação aos 63% registrados em 2017. A pesquisa também mostrou que 31% dos participantes se opõem à medida, enquanto 13% não souberam responder.
A pesquisa foi realizada após uma tentativa de execução malsucedida por injeção letal no Tennessee, onde Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu ao procedimento. Ela foi condenada por assassinato e, após uma tentativa falha de execução, foi levada inconsciente a um hospital, onde ficou em estado crítico. Pike só recuperou a consciência cinco dias depois, o que reacendeu o debate sobre a possibilidade de os estados tentarem executar novamente pessoas que sobrevivem a uma tentativa de execução.
A questão da pena de morte nos Estados Unidos é complexa e polarizadora. Um terço dos entrevistados acredita que o governo deve tentar executar novamente um condenado caso a primeira tentativa fracasse. Em contrapartida, 39% defendem que o preso deve cumprir prisão perpétua, enquanto 26% não souberam dizer qual alternativa seria mais adequada. A pesquisa reflete uma mudança nas percepções sobre a eficácia e a moralidade da pena capital, especialmente após casos controversos como o de Pike.
Além disso, a pesquisa também abordou a proposta de transmitir pela internet uma execução nos EUA, uma ideia que gerou controvérsia. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, sugeriu que a primeira transmissão ao vivo de uma execução no país poderia ocorrer com um pelotão de fuzilamento, no caso de Nidal Hasan, um ex-major do Exército condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas. Após críticas severas, incluindo de parlamentares republicanos, o presidente Donald Trump cancelou o plano de transmissão.
A pena de morte foi abolida na maior parte dos países do mundo e em 23 estados americanos. Nos estados que ainda aplicam a punição, as autoridades enfrentam dificuldades para obter os medicamentos necessários para injeções letais, levando algumas jurisdições a considerar métodos alternativos, como pelotões de fuzilamento. A pesquisa da Reuters/Ipsos também revela que 46% dos entrevistados consideram apropriado que Hasan seja executado por um pelotão de fuzilamento, com uma divisão de 29% entre democratas e 71% entre republicanos.
Esses dados indicam que, embora o apoio à pena de morte ainda seja significativo, a crescente resistência e os debates em torno da sua aplicação refletem uma mudança nas atitudes da sociedade americana em relação a essa forma de punição.




