O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, foi transferido nesta terça-feira (20) para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo. A mudança ocorre em meio a denúncias de regalias durante sua detenção em Mogi das Cruzes, onde estava desde 18 de setembro. A transferência acontece apenas três dias após o afastamento de cinco agentes públicos suspeitos de conceder benefícios indevidos ao ex-vereador.
Entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, o diretor da cadeia pública, o delegado titular do 1º Distrito Policial do município, um investigador e um carcereiro. As suspeitas de favorecimento motivaram a mudança na custódia de Milton Leite, que permanece preso temporariamente por determinação judicial.
“Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, declarou ao deixar o Instituto Médico Legal (IML).
O ex-vereador é alvo da Operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista. Segundo os investigadores, Leite teria participação direta na operação de empresas que estariam sob controle da facção criminosa, além de ser o proprietário de fato da empresa Transwolff.
A operação foi deflagrada em 17 de setembro, com o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A investigação apura a atuação do grupo em diferentes frentes, incluindo empresas de transporte, licitações, articulações políticas e financiamento de campanhas eleitorais.
A apuração também alcança a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo que, segundo a polícia, reuniria advogados que atuariam em benefício da organização criminosa. Milton Leite se entregou à polícia em 18 de setembro, após ser considerado foragido, e teve a prisão temporária prorrogada por mais 30 dias pela Justiça paulista em 14 de outubro.
Durante a prisão, o ex-vereador alegou não se sentir bem e pediu atendimento hospitalar pouco antes da audiência de custódia, procedimento em que a Justiça avalia as circunstâncias da prisão. Na ocasião, ele foi socorrido antes de passar pela audiência, que deveria ocorrer de forma virtual.
Questionado sobre eventual arrependimento, o ex-presidente da Câmara respondeu que “só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo”. Em manifestação nas redes sociais, seu filho Alexandre Leite classificou a prisão como injusta e afirmou que a defesa jurídica buscará esclarecer o caso.




