O governo da França anunciou a implementação de novos toques de recolher em diversas cidades, como parte de uma resposta à onda de violência que tomou conta do país no último fim de semana. A medida foi divulgada nesta terça-feira (20) e ocorre enquanto os tribunais começam a julgar os detidos durante os distúrbios, que marcaram um dos episódios mais graves de tumulto nas ruas francesas em anos.
As autoridades buscam retomar o controle da situação, evidenciando que aprenderam com as falhas de segurança que deixaram áreas de Paris, Marselha, Lyon e outras cidades vulneráveis a confrontos, incêndios e saques. As imagens de edifícios públicos em chamas e lojas saqueadas rapidamente se espalharam pelo mundo, levando países como Estados Unidos, China e Alemanha a emitir alertas de viagem para seus cidadãos na França.
A crítica à mobilização policial insuficiente para conter os distúrbios foi um dos pontos centrais das discussões. Em resposta, na segunda-feira (19), o governo decretou restrições de circulação noturna em bairros de Paris, Lyon, Bordeaux, Lille e Nice. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, em uma publicação na rede social X, afirmou que os toques de recolher poderão ser ampliados conforme a necessidade e que as medidas implementadas contribuíram para a tranquilidade da madrugada.
Na capital francesa, a presença policial foi intensificada, com helicópteros sobrevoando as áreas afetadas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, garantiu que as restrições não afetariam a partida da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Barcelona, marcada para esta terça em Paris.
Esses toques de recolher representam uma trégua para o governo, que enfrenta semanas de manifestações que pressionaram tanto a polícia quanto as autoridades públicas. Os protestos, que começaram com mobilizações de estudantes do ensino médio em defesa da qualidade do ensino e da infraestrutura das escolas, rapidamente se expandiram para incluir a insatisfação com o aumento dos preços e a deterioração dos serviços públicos.
A crise atual também exacerbou a tensão política no país, a apenas seis meses das eleições presidenciais que definirão o sucessor de Emmanuel Macron, que não poderá concorrer à reeleição. Candidatos da ultradireita e da ultraesquerda estão na disputa pelo pleito, o que promete acirrar ainda mais os ânimos no cenário político francês.
A Justiça já começou a processar os detidos durante os protestos. De acordo com o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, mais de 2.500 pessoas foram detidas, das quais 123 permanecem presas, seja aguardando julgamento ou já cumprindo as primeiras condenações. O governo francês se vê agora diante do desafio de restaurar a ordem, ao mesmo tempo em que lida com as crescentes demandas sociais e a pressão política que se intensifica à medida que as eleições se aproximam.



