Com a recente aprovação do fim da escala 6×1, empresas de diversos setores, como logística, varejo e alimentação, estão se reestruturando para manter a eficiência operacional durante os picos de demanda. A mudança, que estabelece uma jornada de trabalho de 5×2 e 42 horas semanais, foi promulgada pelo Congresso Nacional e representa um desafio significativo para as companhias que dependem de uma força de trabalho flexível e disponível em horários críticos.
A Unimar, um grupo de agenciamento marítimo com 370 funcionários, já está implementando soluções para lidar com a nova realidade. A empresa utiliza um banco de horas, negociações com sindicatos e tecnologia, como inteligência artificial, para otimizar processos. Thiago Santos, diretor de estratégia corporativa da Unimar, destaca a importância de reduzir custos e preservar a operação em momentos de alta demanda. “Precisamos de tecnologia e otimização de processos para manter a eficiência”, afirma.
A Loggi, que atua na entrega de pacotes e documentos, também já testou a nova escala. Em outubro de 2025, a empresa realizou um experimento com turnos de 5×2 em Cajamar, visando avaliar o impacto da mudança durante a Black Friday. Juliana Sorrentino, gerente sênior de pessoas, ressalta que a experiência trouxe resultados positivos, permitindo uma melhor organização das jornadas de trabalho e promovendo um equilíbrio entre as necessidades operacionais e a qualidade de vida dos colaboradores.
Outro exemplo é a Klivex, distribuidora de produtos de limpeza e higiene, que enfrenta o desafio de manter suas lojas abertas aos sábados e garantir a operação do centro de distribuição. Mauro Silveira, diretor-executivo da Klivex, afirma que a reorganização das escalas é fundamental para manter a qualidade no atendimento ao cliente. Ele acredita que a mudança pode ser uma oportunidade para aprimorar a eficiência e a gestão das equipes.
A Pizza Prime, do setor de alimentação, também se adapta às novas exigências. O fundador, Gabriel Concon, vê a mudança como uma chance de melhorar a eficiência operacional e criar um ambiente de trabalho mais sustentável. “Um time mais descansado atende melhor”, completa Silveira, reforçando a importância do bem-estar dos funcionários.
Com a promulgação da nova legislação, as empresas estão se preparando para compensar as horas perdidas através de uma combinação de planejamento estratégico, capacitação das equipes e uso de tecnologia. A Klivex, por exemplo, planeja adotar folgas rotativas e uma jornada de trabalho de 42 horas no centro de distribuição, buscando manter a eficiência sem comprometer a qualidade do atendimento.
A adaptação das jornadas de trabalho é um reflexo das mudanças no mercado e das necessidades dos colaboradores, que buscam um equilíbrio entre vida profissional e pessoal. À medida que as empresas se ajustam a essa nova realidade, a expectativa é que a eficiência e a satisfação dos funcionários aumentem, contribuindo para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.
A aprovação do fim da escala 6×1 representa não apenas uma mudança na legislação trabalhista, mas também uma oportunidade para as empresas repensarem suas estratégias e se adaptarem a um mercado em constante evolução. Com foco na eficiência e no bem-estar dos colaboradores, as companhias estão se preparando para enfrentar os desafios que virão com a nova jornada de trabalho.



