Com o avanço do nacionalismo, as eleições na Europa prometem redefinir a direção da União Europeia (UE). Nos próximos meses, quatro dos cinco maiores países da UE irão às urnas, e a expectativa é de que partidos nacionalistas e populistas dominem as disputas. A Espanha inicia essa sequência eleitoral em 29 de novembro, seguida pela França em abril, e depois Finlândia, Grécia e Polônia. A Itália, que também deverá realizar eleições até o fim de 2027, não está incluída neste ciclo imediato, mas a Alternativa para a Alemanha já se destaca em eleições regionais, mostrando que o sentimento nacionalista está em alta em várias partes do continente.
O que une essas eleições não é apenas o calendário, mas também o crescimento de partidos que desafiam os tradicionais, que têm perdido a capacidade de responder às demandas de um eleitorado cada vez mais volátil. A extrema direita, por exemplo, tem se radicalizado, com novos concorrentes que pressionam os partidos estabelecidos a se posicionarem ainda mais à direita. Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni enfrenta desafios internos com a ascensão do Futuro Nacional, liderado pelo ex-general pró-Rússia Roberto Vannacci. Na Polônia, quatro partidos de direita estão próximos de alcançar metade das intenções de voto, colocando em risco o governo liberal do primeiro-ministro Donald Tusk.
Esse ciclo eleitoral ocorre em um contexto de fragilidade fiscal. A França, por exemplo, projeta um déficit de 5,4% do PIB em 2026, enquanto a Itália mantém uma dívida pública superior a 135% do PIB. As propostas econômicas dos partidos populistas não têm contribuído para a estabilidade dos mercados. Na França, Marine Le Pen, líder da Reunião Nacional, promete 140 bilhões de euros em cortes, mas economistas alertam que o resultado real pode ser muito inferior, lembrando o fiasco da ex-primeira-ministra britânica Liz Truss em 2022. Além disso, a guerra na Ucrânia e a instabilidade no Oriente Médio criam um cenário ainda mais complicado para qualquer governo que assuma o poder, limitando a margem de manobra fiscal para implementar promessas de campanha.
Entretanto, nenhuma eleição gera tanta preocupação quanto a francesa. Marine Le Pen, que se apresenta pela quarta vez à presidência, lidera as pesquisas de primeiro turno com mais de 30% e é vista como favorita em muitos cenários de segundo turno, algo inédito em sua trajetória. Essa ascensão reflete não apenas o descontentamento com os partidos tradicionais, mas também uma mudança significativa na percepção do eleitorado em relação à extrema direita, que agora se apresenta como uma alternativa viável e, em muitos casos, preferível.
À medida que as eleições se aproximam, a Europa se vê em um momento crítico, onde o resultado dessas votações pode não apenas moldar o futuro político dos países envolvidos, mas também afetar a própria estrutura e a coesão da União Europeia. O avanço do nacionalismo e das ideologias populistas representa um desafio significativo para a integração europeia e para a estabilidade política do continente.



