Post: Vendas no varejo no Brasil crescem 0,1% em agosto, abaixo das expectativas do mercado

Vendas no varejo no Brasil cresceram 0,1% em agosto, abaixo da expectativa de 0,7%, segundo IBGE. Desaceleração econômica é evidente.
Vendas no varejo no Brasil crescem 0,1% em agosto, abaixo das expectativas do mercado

As vendas no varejo brasileiro apresentaram um crescimento modesto de 0,1% em agosto, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este aumento, embora positivo, ficou aquém das expectativas de economistas, que projetavam uma alta de 0,7% em relação ao mês anterior. O resultado também é um reflexo da desaceleração econômica, especialmente após uma queda de 0,8% em julho.

Na comparação anual, as vendas mostraram um crescimento de 0,4% em agosto de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho dos setores foi misto, com seis deles apresentando crescimento em relação a julho. Os destaques positivos foram para equipamentos e material de escritório, que cresceram 6,3%, e outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 1,4%. Por outro lado, setores como móveis e eletrodomésticos enfrentaram uma queda significativa de 4,2%.

O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, destacou que o avanço do crédito à pessoa física e a queda da inflação ajudaram a evitar uma nova retração nas vendas, mas enfatizou que o crescimento deve ser visto com cautela. “O poder de compra maior não está necessariamente se traduzindo em consumo, podendo estar sendo utilizado para quitar dívidas ou poupança”, afirmou Santos.

Além disso, ao considerar o comércio varejista ampliado, que inclui veículos, autopeças e material de construção, o volume total de vendas caiu 0,2% em agosto em relação a julho, embora tenha crescido 0,1% na comparação anual.

As expectativas para a economia brasileira permanecem conturbadas. A reunião do Banco Central, marcada para o início de novembro, deve deliberar sobre a taxa de juros, com a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Essa reunião será a primeira após o segundo turno das eleições presidenciais, que ocorrerá em 25 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.

Os dados recentes indicam que a produção industrial e o volume de serviços também apresentaram resultados abaixo do esperado, sugerindo um cenário de PIB mais fraco para o terceiro trimestre de 2026. O economista Leonardo Costa, do ASA, já revisou suas previsões de crescimento para esse período, projetando uma queda de 0,2%.

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