O número de startups de biotecnologia que optam por fusões reversas para abrir capital cresceu significativamente este ano, com um aumento quase seis vezes em relação ao ano anterior. Essa estratégia permite que empresas promissoras se fundam com companhias já listadas na Bolsa, acelerando o processo tradicional de ofertas públicas iniciais (IPOs). Essa tendência é impulsionada por reveses clínicos enfrentados por várias biotechs após um boom de IPOs durante a pandemia, tornando-as alvos atrativos para fusões.
Segundo dados do banco de investimento William Blair, 23 empresas do setor anunciaram fusões reversas em 2026, em comparação a apenas quatro no ano anterior. Apesar da recuperação dos IPOs, que também aumentaram para 23 este ano, as fusões oferecem uma alternativa mais rápida e previsível para as startups em busca de capital.
Historicamente, as fusões reversas eram vistas como uma opção inferior, mas essa percepção começou a mudar. Brian Rosenzweig, sócio de mercado de capitais do escritório de advocacia Covington, destaca que o mercado de fusões reversas se tornou mais sofisticado, atraindo investidores mais experientes. Após o aumento de IPOs no setor de biotecnologia durante a pandemia, várias empresas listadas enfrentaram dificuldades, o que as deixou abertas a fusões. Um exemplo é a Cyclerion Therapeutics, que, após não obter sucesso em seu tratamento para anemia falciforme, concluiu uma fusão reversa com a Korsana Biosciences, que arrecadou US$ 380 milhões em financiamento. A participação crescente de investidores sofisticados, como a Fairmount, ajudou a mudar a reputação das fusões reversas, que agora são vistas como uma alternativa viável para empresas em dificuldades.
Em julho, a Caldera Therapeutics levantou US$ 278 milhões para se fundir com a Synlogic, enquanto a Obsidian Therapeutics arrecadou US$ 350 milhões para se unir à Galera. Essas operações demonstram que as fusões reversas estão se tornando uma opção atraente, mesmo com a recuperação dos IPOs tradicionais. Rita Sobral, sócia do escritório Cooley, ressalta que as fusões reversas oferecem maior certeza quanto ao financiamento e avaliações mais fixas, uma vez que o processo de IPO pode ser imprevisível.
Jonathan Violin, presidente-executivo da Korsana, enfatiza que a solidez da empresa e a qualidade da ciência são mais importantes do que o caminho escolhido para abrir capital. Apesar da recuperação dos IPOs, que também oferecem uma via de acesso ao mercado, as fusões reversas continuam a ser uma opção atraente para startups que buscam acelerar seu crescimento e garantir financiamento.



