O fundador do “Partido das Baratas”, Abhijeet Dipke, foi preso neste sábado (10) em Nova Déli, antes de uma manifestação contra o presidente da Comissão Eleitoral da Índia. O protesto, que ocorreu sem autorização, pedia a renúncia de Gyanesh Kumar, acusado pela oposição de realizar uma revisão irregular dos cadastros eleitorais.
A detenção foi confirmada pelo CJP (Partido do Povo das Baratas), que divulgou nas redes sociais imagens de Dipke desembarcando na capital. A legenda da publicação também mencionou a prisão de outros dois porta-vozes do movimento, embora a polícia não tenha confirmado essas informações.
Dipke, que reside nos Estados Unidos há dois anos, não visitava a Índia desde a fundação do movimento. Ele expressou preocupações de que sua volta ao país resultaria em prisão, temores compartilhados por familiares e amigos.
Desde seu lançamento em maio, o grupo acumulou mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, tornando-se uma das principais vozes de oposição ao governo nacionalista de Narendra Modi, que está no poder há 12 anos. O movimento, que não é um partido formal, emergiu em meio a crescentes preocupações sobre o desemprego juvenil e falhas em processos de correção que afetam a educação de milhões de estudantes. Dipke afirmou que a organização representa “a voz dos estudantes revoltados com o governo”.
A primeira grande manifestação do partido ocorreu em junho, exigindo a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Com quase 400 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, a Índia enfrenta desafios significativos na criação de empregos não agrícolas. A taxa de desemprego entre jovens nas áreas urbanas foi de quase 14% em abril, e muitos graduados se veem presos em empregos mal remunerados que não correspondem às suas qualificações.
Durante a manifestação, a polícia deteve mais de 2.000 pessoas, segundo a Reuters. A agência Press Trust of India (PTI) informou que cerca de 20 mil policiais e paramilitares foram mobilizados para conter o ato organizado pelo movimento. As autoridades também suspenderam o acesso à internet móvel na região central e fecharam dezenas de estações de metrô e mercados.
Os protestos contra a revisão das listas eleitorais têm mobilizado o movimento e o Partido do Congresso, principal força de oposição ao governo de Modi. A revisão resultou na exclusão de 130 milhões de registros eleitorais, segundo a imprensa local.




