Os juros elevados continuam a ser o principal obstáculo para que a indústria brasileira consiga acessar crédito, conforme revela uma pesquisa divulgada na última sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, que ouviu 1.701 empresas entre os dias 3 e 12 de agosto, aponta que 76% das indústrias enfrentaram dificuldades para obter financiamento de curto ou médio prazo devido às altas taxas de juros. No que diz respeito ao crédito de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, 69% dos empresários também citaram os juros como um dos principais entraves.
Apesar de os juros ainda figurarem como os maiores obstáculos, a pesquisa indica uma leve diminuição em comparação com o ano anterior, quando 80% das empresas mencionaram os altos juros nas operações de curto e médio prazo e 71% nas de longo prazo. Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, destaca que “a queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”.
Além dos juros, as exigências de garantias reais se destacam como um entrave significativo, sendo mencionadas por 33,4% das empresas nas operações de curto e médio prazo, e por 31,5% nas de longo prazo. A burocracia também foi um fator apontado, com 13,6% dos empresários relatando dificuldades nesse aspecto nas operações de curto e médio prazo. Para o crédito de longo prazo, 18,9% dos entrevistados consideraram o prazo de carência insuficiente.
Outro dado relevante é que quase metade das empresas industriais, 49,9%, não tentaram contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo durante o período analisado. Apenas 22,9% conseguiram obter financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não conseguiram os recursos necessários. No que se refere ao crédito de longo prazo, 54% das empresas não buscaram financiamento, e entre as que tentaram, 15,5% conseguiram e 9,2% não obtiveram sucesso.
Considerando apenas as empresas que efetivamente buscaram crédito, a taxa de frustração aumentou em relação a 2025. Para operações de curto e médio prazo, a frustração subiu para 24,7%, contra 20% no ano anterior. No longo prazo, a taxa de frustração foi de 37,2%, comparada a 33% em 2025. As pequenas empresas foram as mais afetadas, com 48,2% delas não conseguindo obter o crédito procurado, em comparação a 29,9% das grandes empresas.
A pesquisa também revelou que as empresas industriais continuam a recorrer a linhas de crédito de longo prazo para financiar despesas do dia a dia. Entre aquelas que buscaram esse tipo de crédito, 28,7% indicaram o capital de giro como a principal finalidade, superando o percentual destinado a investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%) e construção ou instalações (11,6%). Isso é preocupante, pois linhas de longo prazo normalmente são destinadas a investimentos, enquanto despesas operacionais costumam ser financiadas por operações de menor duração.
Para facilitar o acesso ao crédito, os empresários sugerem a redução dos custos tributários e administrativos. Essa alternativa foi escolhida por 38,4% dos entrevistados para operações de curto e médio prazo e por 31,2% para as de longo prazo. As sugestões incluem também a simplificação de processos burocráticos e a melhoria das condições de financiamento, que são vistas como essenciais para a recuperação do setor industrial.




