O fundador do SoftBank, Masayoshi Son, está em busca de levantar até US$ 100 bilhões junto a investidores do Golfo Pérsico. Este movimento visa ampliar sua já significativa aposta em inteligência artificial (IA), um setor que o transformou em um dos principais defensores da tecnologia. Nos últimos dias, Son tem mantido diálogos com autoridades e executivos de alto escalão nos Emirados Árabes Unidos, entre outros países, para discutir essa captação de recursos.
A iniciativa de Son é parte de uma estratégia maior, que inclui um investimento anterior de US$ 65 bilhões na OpenAI, a criadora do ChatGPT. O contexto atual é marcado por um adiamento da esperada oferta pública inicial (IPO) da OpenAI e preocupações sobre a exposição do SoftBank ao crescimento da IA, levando alguns investidores a reavaliar a capacidade de Son de injetar novos recursos em uma tecnologia que ele considera revolucionária.
O dinheiro levantado no Golfo Pérsico seria utilizado para criar um fundo destinado à aquisição de empresas, com o objetivo de aplicar IA e outras tecnologias avançadas para otimizar suas operações. A divisão de robótica e IA física do SoftBank, chamada Roze, deverá desempenhar um papel central nesse processo, especialmente na busca por uma avaliação elevada quando for levada à Bolsa.
Embora as conversas com investidores do Golfo Pérsico estejam em andamento, não há garantias de sucesso. Nos últimos anos, diversos países da região têm direcionado parte de suas riquezas para o setor de IA, buscando diversificar suas economias, tradicionalmente dependentes do petróleo. Abu Dhabi, por exemplo, se destacou como um dos maiores investidores globais em IA, através de iniciativas como o fundo MGX e a holding G42, embora representantes dessas entidades não tenham comentado sobre as negociações com Son.
Masayoshi Son é uma figura controversa no setor de tecnologia, com uma abordagem de investimento que muitos consideram arriscada. Sua estratégia já resultou em fracassos notáveis, como o da WeWork, que pediu recuperação judicial em 2023. No entanto, ele também teve sucessos significativos, como com a Alibaba, e tem transformado o SoftBank de um grupo de telecomunicações em um dos maiores financiadores de IA do mundo.
Son já buscou anteriormente o apoio de investidores do Golfo Pérsico para sustentar suas ambições. O fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, e o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita foram investidores no primeiro Vision Fund do SoftBank, que levantou US$ 100 bilhões em 2017. Desde então, esse fundo acumulou cerca de US$ 29 bilhões em ganhos até junho deste ano, enquanto o Vision Fund 2, que detém participação na OpenAI, gerou US$ 20,5 bilhões.
Para financiar seus investimentos, Son tem utilizado uma combinação de captação de recursos e empréstimos, parcialmente garantidos pela participação do SoftBank na fabricante de chips Arm. Recentemente, a empresa concluiu uma emissão de títulos de alto risco, levantando mais de US$ 11 bilhões, com rendimentos de até 9,75% para os investidores.
O compromisso de investidores do Golfo, que possuem grande disponibilidade de capital, poderia ocorrer em um momento crucial para o boom da IA, que elevou as ações de Wall Street a máximas históricas e impulsionou uma corrida por investimentos. A Anthropic, rival da OpenAI, está prestes a lançar uma IPO que pode ser recorde, mesmo com as crescentes preocupações sobre a segurança da tecnologia.
Son tem enfrentado ceticismo em relação à IA, mas defendeu a tecnologia, afirmando que aqueles que a condenam estão “cuspindo para cima”. Recentemente, ele reconheceu que, se usada de forma mal-intencionada, a IA poderia ser extremamente perigosa. O adiamento da IPO da OpenAI, devido a riscos associados ao desenvolvimento da IA, pode complicar os planos do SoftBank para novos investimentos no setor.
As ações do SoftBank, que acumularam alta de 25% neste ano, caíram mais de 30% desde o pico em junho, quando a empresa se tornou temporariamente a mais valiosa do Japão. A receita anualizada da OpenAI foi cerca de US$ 20 bilhões inferior ao esperado, o que impactou negativamente a confiança dos investidores.
A capacidade do SoftBank de captar recursos por meio de dívida está relacionada às avaliações atuais de seus ativos, que totalizavam 72,3 trilhões de ienes (R$ 2,28 trilhões) no final de junho. A relação entre empréstimos e valor dos ativos era de 13%, bem abaixo do limite de 25% estabelecido para operações normais. Executivos do SoftBank afirmam que oscilações de curto prazo nas avaliações não afetarão seus planos de investimento, embora uma queda na avaliação da OpenAI possa ser problemática, dado que muitos investimentos do SoftBank estão diretamente ligados à empresa.




