O ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou, nesta quarta-feira (7), sua perplexidade em relação à euforia do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições. Durante sua participação em um evento por videoconferência, Durigan se referiu à recente valorização da Bolsa e à queda do dólar, movimentos que, segundo ele, estão associados à expectativa de mudança de governo. No entanto, o ministro destacou que essa reação positiva dos ativos não se sustenta em propostas econômicas concretas apresentadas pela oposição.
Durigan criticou as promessas feitas na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), sem mencionar o candidato diretamente, especialmente a meta de alcançar um superávit fiscal de 1,5% do PIB. Para ele, não há uma explicação clara sobre como esse resultado seria atingido. “A direita fala em superávit de 1,5% do PIB, e isso não é crível, compra quem quer”, afirmou, acrescentando que prometer resultados sem um plano detalhado é “vender pastel de vento”.
O ministro também fez uma comparação entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a administração anterior, argumentando que não há justificativa para uma mudança tão positiva na percepção dos investidores, especialmente em relação às contas públicas. Ele ressaltou que o risco-país caiu durante o governo Lula e que a percepção de crédito do Brasil melhorou sob as regras fiscais atuais. Durigan criticou a gestão anterior por ter aumentado despesas sem indicar fontes de compensação, afirmando que, ao comparar as duas administrações, o governo Lula se destaca em termos de política fiscal.
Durigan defendeu a manutenção e o fortalecimento do arcabouço fiscal, enfatizando a importância de que o crescimento das despesas permaneça abaixo da expansão das receitas. Para ele, a previsibilidade dessa regra é essencial para reduzir estruturalmente os juros e melhorar as expectativas econômicas. “Nós temos que dar garantia de que essa regra fiscal vai seguir existindo com a receita crescendo mais do que a despesa, de modo que estabilizemos o crescimento da dívida pública”, afirmou.
Além disso, o ministro mencionou a reforma tributária como um dos principais avanços necessários para aumentar a produtividade do Brasil e destacou a urgência em enfrentar a taxa de juros e o quadro fiscal do país. Em sua apresentação, Durigan alertou empresários do setor da construção civil que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar em um “desastre” para o mercado imobiliário.
Ele reiterou a importância da atuação do Estado em programas habitacionais e mecanismos de financiamento, como o uso do FGTS (fundo de garantia), ressaltando que o setor depende fortemente dessas iniciativas.




