As eleições de 2026 marcaram um ponto de virada na política brasileira, resultando na aposentadoria de diversos nomes conhecidos, que, ao longo dos anos, moldaram o cenário político nacional. A rejeição nas urnas não poupou figuras emblemáticas de todos os espectros, desde a direita até a esquerda, incluindo os tradicionais protagonistas da polarização entre PT e PSDB, que dominou a política brasileira até a ascensão de Jair Bolsonaro.
Um dos exemplos mais notáveis é o deputado federal Tiririca (PSD-CE). Conhecido por sua trajetória como um voto de protesto contra a política tradicional, Tiririca buscava seu quinto mandato, mas não conseguiu se reeleger. Mudando seu domicílio eleitoral para o Ceará, onde é natural, ele obteve apenas 5.536 votos, um resultado decepcionante após ter conquistado mais de um milhão de votos em eleições anteriores.
O PSDB, que já foi um dos pilares da política nacional, também enfrentou derrotas significativas. O ex-governador cearense Ciro Gomes (PSDB-CE), que retornou ao partido após uma passagem pelo PDT, não conseguiu vencer a disputa pelo governo do Ceará, mesmo com uma campanha polarizada contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT-CE). Ciro obteve 46,22% dos votos válidos, mas isso não foi suficiente para garantir sua vitória no primeiro turno.
Em Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO) tentou retomar o governo, mas com apenas 315.676 votos, representando 8,69% dos votos válidos, sua candidatura foi um fracasso. O ex-candidato à presidência, Aécio Neves (PSDB-MG), também não teve sucesso ao tentar voltar ao Senado, recebendo apenas 836.595 votos, o que equivale a 4% dos votos válidos.
No Paraná, o ex-governador Beto Richa (PSDB-PR) também não conseguiu se reeleger, com apenas 58.946 votos, insuficientes para garantir sua permanência na Câmara dos Deputados.
O Partido dos Trabalhadores (PT), por sua vez, apostou em nomes históricos para as disputas, mas também enfrentou reveses. Patrus Ananias (PT-MG), ex-prefeito de Belo Horizonte e responsável por implementar o programa Fome Zero, foi escolhido por Lula para concorrer ao governo de Minas Gerais. Apesar de sua trajetória, Ananias ficou em segundo lugar, recebendo mais de 3 milhões de votos, o que representou 26,34% dos votos válidos, mas não foi suficiente para vencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Benedita da Silva (PT-RJ), ex-governadora do Rio de Janeiro, também tentou uma vaga no Senado, mas foi superada por candidatos do PL, recebendo 3.220.765 votos, ou 20,22% dos votos válidos. Em São Paulo, José Dirceu (PT-SP), um dos nomes mais emblemáticos do partido, não conseguiu retornar ao Congresso, obtendo apenas 78.450 votos.
A eleição de 2026 também trouxe à tona a punição nas urnas de figuras ligadas a escândalos. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que enfrentou investigações por suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, não conseguiu se reeleger, terminando em terceiro lugar com 904.961 votos. Outros senadores, como Esperidião Amin (PP-SC) e Renan Calheiros (MDB-AL), também não conseguiram garantir suas cadeiras, marcando o fim de uma era para muitos desses políticos.
Esses resultados evidenciam uma mudança significativa no cenário político brasileiro, onde a rejeição a figuras tradicionais parece ter se consolidado, abrindo espaço para novas lideranças e uma renovação nas práticas políticas. O futuro das eleições e da política no Brasil agora se apresenta incerto, mas repleto de oportunidades para aqueles que buscam representar uma nova era.



