O comissário europeu de comércio, Maros Sefcovic, destacou que a estratégia atual da União Europeia (UE) é ampliar acordos de livre-comércio com novos parceiros, diversificando suas relações comerciais. Em entrevista por e-mail, Sefcovic, que possui vasta experiência no bloco, enfatizou que, apesar da crescente politização do comércio global, não há uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a UE, que continuam sendo os principais parceiros comerciais da Europa.
Sefcovic mencionou que a implementação provisória do acordo de livre-comércio com o Mercosul está avançando de forma positiva. Ele destacou o aumento significativo nas exportações de produtos como abacates, óleo de milho bruto e café torrado, que cresceram mais de 200% desde o início do acordo. Essas informações refletem a intenção da UE de fortalecer laços comerciais com a América Latina, especialmente com o Brasil.
O comissário também abordou as declarações do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que sugeriu a possibilidade de o Brasil se retirar do Mercosul. Sefcovic se mostrou confiante na continuidade do acordo, afirmando que ele permaneceria em vigor independentemente das mudanças políticas no Brasil. Ele ressaltou a resiliência da parceria entre a UE e o Brasil, mesmo diante de incertezas.
Além disso, Sefcovic comentou sobre as auditorias realizadas pela UE no Brasil, que foram positivas após a interrupção das importações de carnes devido ao uso excessivo de antibióticos na pecuária. Ele afirmou que as recomendações resultantes dessas auditorias serão apresentadas aos Estados-membros para que o fluxo de importações possa ser retomado. No entanto, a autoridade sanitária da UE indicou que a venda de carne bovina brasileira para o bloco não será retomada em menos de dois anos.
A questão das exportações brasileiras de produtos de origem animal para a UE continua sem um cronograma claro, embora o governo brasileiro tenha afirmado que a UE aceitou os protocolos apresentados durante as auditorias. Sefcovic indicou que as conclusões sobre os controles de antimicrobianos nos setores de aves e mel foram positivas, refletindo uma boa cooperação entre as autoridades europeias e brasileiras. Os resultados serão apresentados em breve aos Estados-membros da UE, cuja aprovação é necessária para que as medidas entrem em vigor.



